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Acervo arqueológico de Lagoa Santa ganha versão digital e disponibiliza mais de 2 mil peças para consulta gratuita

Coleção reúne crânios humanos, fósseis de animais extintos e os raros machados lunares; iniciativa amplia acesso ao patrimônio científico durante restauração do Museu da Lapinha

17/06/2026 às 08h38
Por: Cristiane Cirilo
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Pesquisadores, estudantes e interessados em arqueologia e história natural já podem acessar gratuitamente pela internet um dos mais importantes acervos científicos do Brasil. A Coleção Digital Lapinha, lançada na terça-feira (16), disponibiliza cerca de 2 mil peças arqueológicas, paleontológicas e antropológicas encontradas na região de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A plataforma reúne imagens e informações detalhadas de crânios humanos, ossos, fósseis de animais extintos, instrumentos de pedra e da coleção dos chamados machados lunares, considerada única no país. Todo o material passou por um processo de catalogação e digitalização, permitindo consultas online e ampliando as possibilidades de pesquisa, ensino e divulgação científica e pode ser acessado pelo link: https://remin.eba.ufmg.br/mals/. 

A iniciativa surge em um momento importante para a preservação e difusão do patrimônio histórico da região. O Museu Arqueológico da Lapinha, conhecido popularmente como Castelinho, encontra-se fechado para visitação devido a obras de restauração. Com a criação do acervo digital, parte significativa da coleção permanece acessível ao público enquanto o espaço físico passa por intervenções estruturais.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a proposta busca democratizar o acesso ao patrimônio científico brasileiro e aproximar a população de um conjunto de peças que ajudam a contar a história da ocupação humana e da fauna pré-histórica das Américas.

Atualmente, o acervo físico está sob a guarda do Museu Peter Lund, também localizado em Lagoa Santa. O espaço permanece aberto à visitação e abriga exposições dedicadas à arqueologia, paleontologia e história natural da região.

Reconhecida internacionalmente, Lagoa Santa ocupa posição de destaque nos estudos sobre a pré-história das Américas. Desde o século XIX, pesquisas realizadas em cavernas e sítios arqueológicos da região vêm fornecendo evidências fundamentais para a compreensão da ocupação humana no continente.

As descobertas feitas ao longo de quase dois séculos ajudaram a consolidar a região como um dos mais importantes polos de pesquisa arqueológica do mundo. Entre os materiais encontrados estão vestígios humanos milenares e fósseis de animais extintos que contribuíram para importantes debates científicos sobre a evolução e migração dos primeiros habitantes das Américas.

Grande parte desse reconhecimento está associada ao trabalho do naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, considerado o pai da paleontologia brasileira. Suas expedições pelas cavernas da região revelaram fósseis de espécies extintas e vestígios humanos que transformaram o conhecimento científico sobre a pré-história brasileira.

Além do Museu Arqueológico da Lapinha, Lagoa Santa abriga o Museu Peter Lund, localizado no Parque Estadual do Sumidouro. O espaço integra um dos principais atrativos turísticos e científicos de Minas Gerais, reunindo exposições permanentes, trilhas ecológicas, grutas e sítios históricos.

Com a disponibilização da Coleção Digital Lapinha, especialistas acreditam que o acesso remoto ao acervo poderá estimular novas pesquisas acadêmicas, fortalecer ações educativas e ampliar o alcance de um patrimônio que guarda parte importante da história natural e humana do Brasil.

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