
A Polícia Civil de Minas Gerais investiga um caso de injúria racial envolvendo o vice-diretor da Escola Estadual Maurício Murgel, em Belo Horizonte. O servidor foi conduzido à delegacia após um estudante de 16 anos afirmar ter se sentido ofendido durante uma conversa em sala de aula.
O episódio ocorreu na última quarta-feira (27) e motivou protestos de alunos dentro da unidade escolar, que pedem o afastamento do vice-diretor.
Segundo registro policial, o servidor teria entrado em uma sala para orientar estudantes sobre regras de circulação nos corredores quando percebeu um aluno com um pente tipo garfo. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, ele fez comentários sobre o objeto e sua relação com o estilo de cabelo black power.
Em depoimento, o vice-diretor afirmou que mencionou o pente como referência histórica e cultural ligada aos anos 1970. O estudante, no entanto, disse à polícia que se sentiu humilhado e interpretou a fala como ofensiva à sua aparência e cor de pele.
Após o episódio, o aluno relatou o caso a colegas, o que levou a manifestações na escola com gritos de “Fora racista”, segundo relatos.
O estudante também apresentou outra versão à polícia, afirmando que o vice-diretor teria feito comentários adicionais sugerindo restrição ao uso de outros tipos de pente. O jovem prestou depoimento acompanhado do pai.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais informou que acionou o Serviço de Inspeção Escolar para apuração imediata do caso e que o Núcleo de Acolhimento Educacional foi mobilizado para dar suporte à comunidade escolar. A pasta afirmou ainda que eventuais condutas inadequadas são investigadas com garantia de contraditório e ampla defesa.
A Polícia Civil informou que o servidor foi ouvido e liberado, e que foi instaurado procedimento para apurar os fatos.
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