
A greve dos profissionais da educação da rede municipal de Belo Horizonte completou um mês nesta quarta-feira (27) sem avanço nas negociações entre a categoria e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). O impasse gira principalmente em torno de reajuste salarial, carreira e modelo de contratação de trabalhadores terceirizados.
Os professores afirmam que a principal reivindicação é a recomposição salarial com pagamento integral do piso e ainda não foi atendida. Já a administração municipal sustenta que cumpriu sete dos oito pontos prioritários apresentados pela categoria.
Uma nova assembleia foi marcada pelo sindicato para esta quinta-feira (28), quando os profissionais devem decidir os próximos passos do movimento.
A greve faz parte da Campanha Salarial 2026 e teve início em 27 de abril, após uma assembleia realizada em 16 de abril aprovar o indicativo de paralisação. Desde então, a categoria mantém a mobilização, alegando também falta de professores, sobrecarga de trabalho e aumento da terceirização na rede municipal.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, o reajuste oferecido aos servidores da educação foi de 6,61%, sendo 2,4% pagos em fevereiro e 4,11% a partir de maio, data-base do funcionalismo. O município afirma que o índice supera o reajuste do piso nacional do magistério, fixado em 5,4% neste ano.
A categoria, no entanto, contesta os números e afirma reivindicar o pagamento integral do piso com reajuste de 5,4% mais 15% retroativo a janeiro. Em nota, o sindicato afirmou que a pauta foi formalmente entregue ao Executivo em março.
Além da questão salarial, os professores criticam o avanço do modelo de terceirização por meio de Organizações da Sociedade Civil (OSCs), apontando riscos de precarização das condições de trabalho e falta de transparência nos critérios de contratação.
A Prefeitura afirma ter avançado em pontos como a criação de comitê de transição para profissionais terceirizados, propostas de mudanças na Lei Orgânica do Município, progressão funcional, transparência de vagas, normatização de caixas escolares e discussão sobre jornada docente.
A categoria, por sua vez, avalia que parte das medidas ainda não representa atendimento efetivo das demandas, por se tratarem de comissões ou estudos futuros.
Entre os pontos mais sensíveis do impasse está justamente o modelo das OSCs. Os professores defendem revisão do sistema, alegando desvio de função e instabilidade na contratação, além de questionarem a falta de critérios públicos para seleção e fiscalização dos profissionais.
A próxima assembleia deve avaliar a continuidade da greve diante do cenário de impasse.
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