
O Governo de Minas Gerais marcou, na segunda-feira (25), o fim de um capítulo histórico da saúde mental no estado com a transferência dos últimos 14 pacientes remanescentes do antigo hospital-colônia de Barbacena para uma residência terapêutica no município.
Com a medida, o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena deixa definitivamente de abrigar moradores institucionalizados e passa a atuar exclusivamente como referência em atendimentos de crise e suporte ambulatorial dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), do Sistema Único de Saúde (SUS).
O encerramento foi celebrado em evento com a presença de autoridades estaduais e municipais, entre elas o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, a presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Renata Dias, e o prefeito de Barbacena, Carlos Augusto Soares do Nascimento.
Durante a cerimônia, houve o fechamento simbólico do Pavilhão Antônio Carlos, gesto que representou o encerramento de um modelo assistencial marcado por décadas de internação prolongada e isolamento social.
Segundo o governo estadual, os pacientes transferidos passam a viver em residência terapêutica com acompanhamento de equipe multiprofissional, como parte da política de cuidado em liberdade e reinserção social.
“Este é o ponto final de uma história construída por diversos personagens. São 25 anos desde a Lei da Reforma Psiquiátrica”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, ao destacar o processo de transição do modelo manicomial para a atenção psicossocial.
A presidente da Fhemig, Renata Dias, ressaltou o trabalho das equipes envolvidas na transição. “Não posso deixar de agradecer aos nossos servidores e a todos que fizeram esse momento acontecer”, disse.
Mais do que uma mudança administrativa, o encerramento do ciclo em Barbacena simboliza a virada de modelo na assistência em saúde mental. Os pacientes agora transferidos viveram, em média, 49 anos internados e têm idade média de 73 anos. Três deles chegaram à instituição ainda na infância.
Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pelo antigo hospital-colônia, e aproximadamente 24 mil morreram no período, segundo dados históricos citados pelo governo estadual.
Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, o local se tornou ao longo do século XX um dos principais símbolos do modelo manicomial brasileiro, marcado por superlotação e violações de direitos humanos. Parte dessa história está registrada no Museu da Loucura, no próprio município.
Desde 2019, o Estado vem conduzindo um processo gradual de desinstitucionalização. No período, dezenas de pacientes foram transferidos para serviços residenciais terapêuticos, enquanto a rede de atenção psicossocial foi ampliada em Minas Gerais.
Atualmente, o estado conta com 453 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo 65 voltados ao público infantojuvenil. O investimento estadual em saúde mental ultrapassou R$ 718 milhões entre 2019 e 2025, segundo dados oficiais.
A assistência psiquiátrica no Centro Hospitalar de Barbacena seguirá ativa para atendimentos de crise, dentro das diretrizes do SUS.
Mín. 16° Máx. 24°