
Os governos do Brasil e da Alemanha anunciaram a intenção de devolver ao território brasileiro o fóssil do dinossauro Irritator challengeri, que está desde 1991 no Museu Estatal de História Natural de Stuttgart, na Alemanha.
O material é considerado um dos achados paleontológicos mais importantes do país e foi retirado da região da Chapada do Araripe, no Ceará, antes de ser vendido a um museu alemão por um comerciante particular, uma prática que contraria legislação brasileira de 1942, que determina que fósseis encontrados no Brasil pertencem ao Estado.
O caso passou a ser contestado por pesquisadores brasileiros ao longo dos anos, que apontam indícios de retirada ilegal e adulteração do material para aumentar seu valor comercial. O fóssil, inclusive, teria sido modificado para parecer mais completo durante o período em que permaneceu fora do país.
O nome Irritator challengeri surgiu após estudos identificarem irregularidades no crânio da espécie, o que gerou questionamentos científicos internacionais.
A devolução ainda não tem data definida, mas é considerada um avanço por pesquisadores brasileiros, que há anos defendem a repatriação do material. Uma carta com cerca de 260 cientistas e uma petição com milhares de assinaturas reforçaram a campanha internacional pela restituição.
O fóssil pertence a um dinossauro carnívoro que viveu há cerca de 110 milhões de anos, com aproximadamente 6,5 metros de comprimento.
A expectativa é que, após o retorno ao Brasil, o exemplar seja encaminhado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará.
Autoridades alemãs afirmaram estar dispostas a devolver o fóssil como parte de uma cooperação científica mais ampla entre os dois países.
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