
Uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego, da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho resgatou 15 trabalhadores em condições análogas à escravidão no interior de Pernambuco. A ação ocorreu no dia 29 de abril, na Ilha de Itamaracá.
Segundo os auditores-fiscais, o grupo foi encontrado em um alojamento superlotado, sem condições mínimas de higiene, privacidade e segurança. Homens e mulheres dividiam o mesmo espaço, com trabalhadores dormindo em camas de casal compartilhadas ou em colchões no chão, além de estruturas improvisadas.
O local não possuía armários ou áreas adequadas para guardar pertences pessoais, que ficavam armazenados em malas e mochilas no próprio ambiente. Também foram identificadas condições precárias na alimentação, com utensílios de cozinha apoiados em bobinas de fibra óptica utilizadas pela empresa.
A fiscalização apontou ainda a ausência de estrutura adequada para higiene e sanitários insuficientes, o que obrigava trabalhadores a longas esperas, inclusive durante a madrugada. Em alguns casos, o deslocamento até banheiros externos ocorria sob chuva.
Além de alojamento, o espaço também funcionava como refeitório e área de apoio operacional, chegando a concentrar cerca de 40 pessoas em determinados momentos.
A maioria dos trabalhadores resgatados era oriunda de Rio Formoso e era deslocada conforme a demanda de serviços em diferentes municípios. Os fiscais também identificaram indícios de que outros alojamentos vinculados às empresas apresentavam o mesmo padrão de irregularidades.
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, as condições configuram situação degradante, com violações graves de segurança, higiene e dignidade. Após o resgate, foram adotadas medidas administrativas, incluindo a emissão de guias para acesso ao seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados.
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