
O governo federal alerta que o envelhecimento da população brasileira deve pressionar fortemente os gastos com previdência e saúde nas próximas décadas, ao mesmo tempo em que tende a reduzir a demanda por educação.
As projeções constam no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso Nacional em abril deste ano. O documento reúne estimativas da equipe econômica sobre o impacto da mudança demográfica nas contas públicas até o fim do século.
Segundo o governo, o sistema previdenciário será o mais afetado. A projeção é de que o déficit do INSS, já elevado, possa quadruplicar até 2100, em um cenário de redução da população em idade ativa e aumento expressivo do número de idosos.
Na área da saúde, a estimativa é de aumento contínuo da demanda por serviços. O governo calcula que serão necessários cerca de R$ 121 bilhões adicionais até 2036, já que a população mais velha utiliza mais atendimentos, consultas e internações.
Por outro lado, a LDO aponta que a educação deve sentir o efeito inverso. Com menos jovens na população, a projeção é de redução de cerca de R$ 30,2 bilhões nos gastos federais com o setor ao longo do período analisado.
“Nas próximas décadas, o Brasil passará por profunda modificação de sua estrutura etária, com aumento do número de idosos e redução do número de jovens”, afirma o documento, destacando que essa transição impõe mudanças nas políticas públicas.
No caso da Previdência Social, o modelo brasileiro funciona no regime de repartição, em que os trabalhadores da ativa financiam os benefícios de aposentados e pensionistas. Com menos pessoas contribuindo e mais beneficiários, o desequilíbrio tende a crescer.
As projeções do governo indicam que, em 2026, o déficit do INSS deve chegar a R$ 338 bilhões, o equivalente a 2,49% do PIB. Já em 2100, o rombo poderia alcançar 10,41% do PIB, ou R$ 28,44 trilhões, segundo a estimativa.
Mesmo após a reforma da Previdência aprovada em 2019, o governo avalia que novas mudanças podem ser necessárias no futuro para conter o avanço das despesas.
Especialistas e técnicos citados em estudos do setor também apontam que o envelhecimento da população tende a exigir ajustes adicionais nas regras previdenciárias e no financiamento do sistema público de saúde ao longo das próximas décadas.
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