
Uma auditoria interna da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Trânsito da Prefeitura de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, identificou um esquema de exclusão fraudulenta de multas de trânsito que causou prejuízo superior a R$ 1,39 milhão aos cofres públicos.
As irregularidades foram detectadas durante análise técnica dos sistemas municipais, que apontou indícios de baixas indevidas de autuações. A partir dos dados levantados, o caso foi encaminhado à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), responsável por aprofundar as investigações.
Com base nas informações repassadas pela prefeitura, a Polícia Civil apurou que uma mulher de 44 anos, ex-servidora do município, utilizava credenciais de acesso ao sistema de gestão de trânsito para excluir infrações de forma irregular. Ela foi presa em flagrante nesta quarta-feira (29/4).
Segundo a administração municipal, a investigada atuou no setor entre 2021 e janeiro de 2025, período anterior à atual gestão. Ao todo, foram identificadas 4.445 baixas irregulares de multas.
De acordo com a apuração policial, o esquema era alimentado por ofertas em plataformas digitais, nas quais o filho da investigada prometia o cancelamento das autuações por valores inferiores a 50% das taxas oficiais.
Durante o cumprimento de mandados, os policiais também identificaram um segundo núcleo criminoso ligado à saúde pública. A suspeita foi flagrada com medicamentos emagrecedores de origem estrangeira, sem registro nos órgãos de vigilância sanitária.
Em depoimento, ela confessou que adquiria as substâncias de fornecedores externos e realizava o fracionamento em seringas para venda clandestina, utilizando técnicas aprendidas em redes sociais e sem qualquer formação na área da saúde. A prática levou à prisão em flagrante devido ao risco à saúde pública.
A operação resultou na apreensão de R$ 11.474 em dinheiro, além de veículos de luxo, como uma caminhonete e uma motocicleta de alta cilindrada, avaliados em mais de R$ 160 mil. Também foram recolhidos dispositivos eletrônicos, joias, relógios e grande quantidade de materiais médico-hospitalares.
Os materiais serão submetidos à perícia técnica, e as investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e possíveis beneficiários do esquema, além de apurar eventual prática de lavagem de dinheiro.
Em nota, a Prefeitura de Santa Luzia informou que o relatório técnico produzido pela secretaria foi fundamental para a identificação das irregularidades e reforçou que segue colaborando com as autoridades.
O prefeito Paulo Bigodinho deve conceder entrevista coletiva nesta quinta-feira (30/4), quando pretende detalhar o caso e apresentar as medidas adotadas pela administração municipal.
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