
A cafeicultura de Minas Gerais vem passando por uma mudança de perfil nos últimos anos, com a adoção crescente de práticas sustentáveis que já começam a refletir no mercado internacional. O movimento, puxado por produtores que investem em técnicas regenerativas, tem ampliado a qualidade dos grãos e aberto espaço em mercados mais exigentes.
Nesse processo, o crédito do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais tem sido um dos instrumentos utilizados para viabilizar a transição no campo. Nos últimos cinco anos, o banco liberou mais de R$ 1,6 bilhão em financiamentos por meio da linha Funcafé, voltada à produção de café no estado.
Além da linha tradicional, o BDMG também financia projetos ligados à agricultura regenerativa, dentro do programa BDMG LabAgrominas, que atua em parceria com cooperativas de crédito para incentivar práticas mais sustentáveis na produção agrícola.
Em regiões como o Alto Paranaíba, produtores relatam que a mudança no manejo das lavouras tem impactado diretamente a produtividade e a qualidade do café. Entre as práticas adotadas estão o uso de cobertura do solo, aplicação de matéria orgânica e defensivos biológicos, além do reaproveitamento de resíduos da própria produção como adubo.
Em propriedades como a Fazenda Congonhas Estate Coffee, em Patrocínio, a transição para o modelo regenerativo veio acompanhada de ampliação da área cultivada e melhoria no rendimento das lavouras, que chegam a cerca de 45 sacas por hectare. A produção é destinada integralmente ao mercado externo.
Outro exemplo na mesma região é a Bom Jardim Estate Coffee, que também passou a investir em práticas sustentáveis com apoio de financiamento. A propriedade trabalha com irrigação total da área, colheita mecanizada e manejo regenerativo em toda a lavoura, alcançando produtividade média de até 50 sacas por hectare, com exportação da produção.
Apesar dos resultados, produtores destacam que a transição para o modelo sustentável não acontece de forma imediata. Trata-se de um processo gradual, em que os ganhos de produtividade e qualidade se consolidam ao longo do tempo.
Ainda assim, o avanço dessas práticas tem contribuído para fortalecer a imagem do café mineiro no exterior, especialmente em mercados que valorizam rastreabilidade, origem controlada e menor impacto ambiental.
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