
Passados 30 dias da noite de 23 de fevereiro, quando fortes chuvas atingiram cidades da Zona da Mata mineira, como Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, moradores ainda enfrentam um cenário de reconstrução lenta e dor persistente após uma das maiores tragédias provocadas por temporais em Minas Gerais.
Com 73 mortes confirmadas, sendo 65 em Juiz de Fora e 8 em Ubá, e milhares de desalojados, famílias tentam reconstruir a vida em meio a perdas irreparáveis, dificuldades financeiras e desafios no acesso à assistência.
Levantamentos municipais apontam milhares de ocorrências registradas pela Defesa Civil, além de mais de 8 mil pessoas desabrigadas apenas em uma das principais cidades atingidas.
Centenas de imóveis foram destruídos ou comprometidos, e parte da rede pública ainda opera com limitações.
Entre os relatos que simbolizam a dimensão da tragédia está o de moradores que perderam vários parentes em um único episódio de deslizamento.
Há casos de famílias inteiras atingidas, especialmente em áreas de encosta, onde o impacto foi mais severo.
Sobreviventes também enfrentam consequências psicológicas. Ansiedade, insônia e necessidade de acompanhamento médico têm sido frequentes entre moradores que ainda convivem com o medo de novos temporais e com o trauma recente.
O impacto financeiro também é significativo. Trabalhadores relatam perda de renda, interrupção de atividades e dificuldade para arcar com despesas básicas, enquanto aguardam auxílios do governo.
Para tentar amenizar os impactos, o governo federal autorizou o pagamento de um auxílio de R$ 7,3 mil, em parcela única, para famílias afetadas diretamente pelas chuvas.
Também foram disponibilizadas linhas de crédito para empresas, além da liberação de recursos para ações de reconstrução e defesa civil.
Outras medidas incluem a antecipação de benefícios sociais, como Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), além da possibilidade de saque do FGTS por calamidade. Prefeituras também receberam repasses para atendimento emergencial de desabrigados.
O governo estadual anunciou a disponibilização do Kit Recomeço para famílias que perderam bens materiais.
Mas moradores cobram mais agilidade no acesso aos recursos e soluções definitivas, como programas habitacionais para quem perdeu a casa.
Em alguns casos, famílias ainda aguardam laudos técnicos que determinem se poderão retornar aos imóveis ou se precisarão ser reassentadas.
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