
O projeto nacional de Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais (MG), começa a ganhar espaço no debate eleitoral de 2026, mas, em Minas Gerais, o cenário para o Partido Novo é bem menos confortável. Nos bastidores da política mineira, cresce a avaliação de que o partido atravessa um processo de enfraquecimento e isolamento após a saída de aliados estratégicos.
A principal ruptura foi a saída do vice-governador Mateus Simões, que deixou o Novo e se filiou ao Partido Social Democrático (PSD). A mudança, entretanto, não foi apenas simbólica. Caso Zema deixe o cargo para disputar a Presidência, quem assumirá o governo é justamente um político que já não pertence à legenda que chegou ao poder prometendo fazer “uma nova política”.
Nos bastidores, a leitura de adversários e até de antigos apoiadores é direta, o partido que construiu sua identidade na pureza ideológica e na recusa a alianças tradicionais pode ter se tornado vítima da própria estratégia. Sem uma base partidária robusta e com presença limitada no Legislativo estadual, o Novo corre o risco de perder seu principal ativo político desde 2018, o controle do governo mineiro. A eventual saída de Zema pode deixar a legenda sem seu maior palanque administrativo no país.
O problema é que o partido também enfrenta dificuldades para ampliar sua rede de aliados. A postura rígida em relação a coligações e negociações políticas ajudou a consolidar uma imagem de coerência programática, mas também contribuiu para um certo isolamento institucional.
Agora, diante das articulações para 2026, o próprio Zema dá sinais de pragmatismo. Embora tente sustentar uma candidatura presidencial própria do Novo, o governador já admite, nos bastidores, que composições com forças da direita podem se tornar inevitáveis.
O movimento revela uma mudança de tom em relação à postura tradicional do partido. A legenda que nasceu criticando o “toma lá dá cá” da política brasileira começa a perceber que, sem alianças, corre o risco de se tornar irrelevante no jogo eleitoral.
Para analistas políticos, o dilema do Novo em Minas é claro: manter a identidade de partido ideológico e enxuto ou aceitar o pragmatismo das coalizões para sobreviver eleitoralmente. No meio desse impasse, cresce a percepção de que a legenda, que já governou o segundo maior colégio eleitoral do país, pode sair do próximo ciclo político menor do que entrou.
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