
A proposta que prevê o fim gradual da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso, voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional. O avanço do debate sobre a redução da jornada semanal tem mobilizado parlamentares, sindicatos e representantes do setor produtivo, enquanto economistas e empresários alertam para possíveis impactos econômicos.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece uma jornada máxima de 44 horas semanais. A proposta em análise no Legislativo pretende alterar o artigo 7º da Constituição para reduzir esse limite e ampliar o período de descanso dos trabalhadores. Entre as alternativas discutidas está a redução da jornada para cerca de 36 horas semanais e a garantia de dois dias consecutivos de folga.
A mudança teria impacto direto em setores que utilizam amplamente a escala 6x1, como comércio, supermercados, indústrias e transporte.
No mercado financeiro, a avaliação é de que eventuais compensações para as empresas, como desoneração da folha de pagamento, poderiam gerar impacto nas contas públicas. Especialistas apontam que qualquer medida desse tipo exigiria uma fonte de recursos para evitar desequilíbrio fiscal.
Apesar das preocupações do setor econômico, a proposta possui forte apelo político e social.
Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgado pela Agência Brasil, aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, desde que não haja redução salarial. A pesquisa ouviu 2.021 pessoas em todo o país e também mostrou que 84% defendem ao menos dois dias de descanso semanal para os trabalhadores.
O tema também tem sido tratado como uma das bandeiras defendidas pelo governo federal e por movimentos trabalhistas, que argumentam que jornadas menores podem melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliar o tempo para descanso e convivência familiar e reduzir problemas relacionados ao excesso de trabalho.
A proposta ainda precisa passar por diversas etapas de tramitação no Congresso Nacional, incluindo análise em comissões e votação em plenário na Câmara dos Deputados e no Senado.
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