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UFMG e governo federal firmam acordo para pesquisa inédita sobre menores e tráfico

Estudo terá investimento de R$ 2,5 milhões e abrangência nacional

20/02/2026 às 16h49
Por: Vitória Carneiro
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Imagem: Bernardo Estilac
Imagem: Bernardo Estilac

A Universidade Federal de Minas Gerais e o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania firmaram acordo para a realização de uma pesquisa inédita sobre o trabalho infantil associado ao tráfico de drogas e sobre o sistema socioeducativo brasileiro. A cerimônia foi realizada em Belo Horizonte.

O governo federal vai investir R$ 2,5 milhões no levantamento, que terá duração de 18 meses e abrangência nacional. O estudo será desenvolvido em duas cidades de cada uma das cinco regiões do país, selecionadas com base no Índice de Vulnerabilidade Juvenil e em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Cadastro Único e da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, entre outros indicadores.

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, afirmou que o acordo contempla dois eixos principais. O primeiro é a produção de dados sobre a exploração de crianças e adolescentes no tráfico de drogas, considerada uma das piores formas de trabalho infantil. O segundo envolve a análise das condições do sistema socioeducativo, incluindo denúncias de violações de direitos. A iniciativa também responde a condenação do Brasil na Corte Interamericana por fatos ocorridos no Ceará.

A pesquisa terá abordagem quantitativa e qualitativa e pretende utilizar a psicanálise como ferramenta para ouvir adolescentes inseridos nessa realidade. Estão previstas entrevistas com lideranças locais, gestores públicos e profissionais das áreas de educação, justiça e assistência social.

A professora Andréa Guerra, do Departamento de Psicologia da UFMG e coordenadora do núcleo Psicanálise e Laço Social no Contemporâneo, destacou que o estudo busca integrar dados sociológicos com a escuta qualificada dos jovens, ampliando a compreensão do fenômeno e subsidiando a formulação de políticas públicas.

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