
A comissão instaurada na Câmara Municipal de Belo Horizonte para apurar possíveis irregularidades cometidas pelo vereador Lucas Ganem (Podemos) decidiu, nesta quinta-feira (8), pelo prosseguimento do processo investigativo. Por três votos a zero, os integrantes do colegiado aprovaram o parecer do relator, vereador Edmar Branco (PC do B), que defende a continuidade das apurações em torno da denúncia envolvendo o parlamentar.
A comissão se reuniu pela primeira vez desde que a denúncia foi aceita pela Casa, em dezembro do ano passado. Além do relator, o grupo é composto pelo presidente Bruno Miranda (PDT) e pelo vereador Helton Júnior (PSD), responsável por acompanhar os trabalhos como membro. A decisão mantém em curso o procedimento que analisa a conduta de Ganem no processo eleitoral de 2024, quando ele foi eleito para o Legislativo municipal com 10.753 votos.
O vereador é investigado sob suspeita de ter apresentado documentação falsa à Justiça Eleitoral, especificamente um comprovante de residência, para viabilizar sua candidatura em Belo Horizonte. Natural de São Paulo, Ganem construiu sua trajetória política no município de Indaiatuba, no interior paulista, antes de disputar o cargo na capital mineira.
No parecer aprovado, o relator argumenta que há elementos consistentes que justificam a continuidade da investigação. Entre os indícios citados está um documento oficial que aponta que o parlamentar renovou sua Carteira Nacional de Habilitação em 2024, informando endereço residencial na cidade de São Paulo, o que, segundo a comissão, reforça dúvidas sobre o vínculo declarado com Belo Horizonte no período eleitoral.
O relatório também menciona a decisão da Justiça Eleitoral que determinou a cassação do mandato de Lucas Ganem em primeira instância, após ação movida pelo Ministério Público, como fator que fortalece as suspeitas de irregularidade. Para o relator, o entendimento judicial contribui para sustentar a necessidade de aprofundar a apuração no âmbito do Legislativo municipal.
A denúncia foi formalmente acolhida pela Câmara no dia 4 de dezembro, em sessão que contou com a presença de 40 parlamentares. Na ocasião, 39 vereadores votaram favoravelmente à abertura do processo. O único ausente foi o próprio investigado, que não participou da reunião, nem mesmo de forma remota, possibilidade prevista no regimento interno da Casa. O presidente do Legislativo, conforme as regras, não participou da votação.
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