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Casos de mpox aumentam sete vezes no RJ em dois meses; capital registra 74 infecções

Setembro teve o maior número de confirmações em um único mês desde 2023; cidade soma 167 casos em 2026 e enfrenta falta de doses da vacina

31/10/2026 às 08h21 Atualizada em 31/10/2026 às 08h22
Por: Cristiane Cirilo
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A cidade do Rio de Janeiro confirmou 74 casos de mpox entre setembro e outubro de 2026, número sete vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas dez infecções. Os dados são do Observatório Epidemiológico municipal e apontam crescimento da doença na capital fluminense.

Setembro concentrou 45 confirmações, o maior número de casos em um único mês na cidade desde 2023. Em outubro, até o levantamento divulgado no dia 30, foram registrados outros 29 diagnósticos.

Ao longo de 2026, o município chegou a 167 casos confirmados, contra 94 durante todo o ano de 2025. O cenário também chama a atenção no restante do estado: o Rio de Janeiro acumulava 211 confirmações neste ano, número superior aos 119 registros de 2025.

Dez pacientes estavam internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na Zona Norte da capital, segundo informações divulgadas em 30 de outubro.

Outro ponto de atenção é a disponibilidade de vacinas. De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Dia, a cidade do Rio estava sem doses do imunizante. A vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) segue critérios específicos definidos pelo Ministério da Saúde e não é oferecida de forma indiscriminada à população.

Como ocorre a transmissão

A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus do gênero Orthopoxvirus. A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com lesões na pele, feridas, fluidos corporais e secreções de uma pessoa infectada.

O contágio também pode ocorrer pelo contato próximo e prolongado com secreções respiratórias ou por objetos contaminados, como roupas de cama, toalhas e utensílios utilizados por alguém com a doença. O contato íntimo, inclusive durante relações sexuais, também pode favorecer a transmissão.

Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, aumento dos gânglios linfáticos popularmente conhecidos como ínguas e lesões na pele. As feridas podem surgir em diferentes partes do corpo, inclusive na região genital, anal e na boca.

As lesões podem evoluir para bolhas e crostas. O período de incubação, intervalo entre a infecção e o aparecimento dos sintomas, costuma variar de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias.

A maioria dos pacientes apresenta quadros leves ou moderados, mas a doença pode provocar complicações. Pessoas com imunidade comprometida, crianças e gestantes exigem atenção especial.

Quem pode receber a vacina

A vacina contra a mpox não faz parte de uma campanha de imunização aberta a toda a população. O Ministério da Saúde estabelece critérios de prioridade para pessoas com maior risco de desenvolver formas graves da doença e para quem teve exposição de risco ao vírus.

Entre os grupos contemplados estão pessoas vivendo com HIV que apresentam comprometimento imunológico, profissionais de laboratório que trabalham diretamente com o vírus e pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos, prováveis ou confirmados.

Nos casos de exposição, a vacinação pós-exposição deve ocorrer preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato. Se não for possível, pode ser indicada em até 14 dias, desde que a pessoa não apresente sintomas.

Quando procurar atendimento

Pessoas que apresentarem lesões ou erupções na pele, especialmente quando acompanhadas de febre, dores no corpo ou aumento dos gânglios linfáticos, devem procurar uma unidade de saúde para avaliação.

Quem teve contato próximo com alguém diagnosticado ou com suspeita da doença também deve buscar orientação médica. Até a avaliação, é importante evitar contato físico próximo, não compartilhar objetos pessoais e manter as lesões cobertas, conforme orientação dos profissionais de saúde.

O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames laboratoriais. A identificação dos casos e o acompanhamento dos pacientes são medidas importantes para reduzir a transmissão e evitar complicações.

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