
Os Estados Unidos avaliam a possibilidade de utilizar a bomba GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast (MOAB), conhecida como “mãe de todas as bombas”, em uma eventual retomada dos ataques contra o Irã. A informação foi divulgada pela CNN nesta quinta-feira (15), com base em relatos de autoridades familiarizadas com as discussões militares. O armamento, considerado a maior bomba não nuclear do arsenal americano, estaria entre as opções analisadas pelo Pentágono para atingir instalações estratégicas iranianas, incluindo estruturas ligadas ao programa nuclear e à infraestrutura energética do país.
A possibilidade de utilização da bomba ocorre em meio ao impasse nas negociações para encerrar o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Segundo as informações divulgadas pela emissora americana, o presidente Donald Trump solicitou a elaboração de novos planos de ataque, que incluem alvos relacionados à infraestrutura energética iraniana. Entretanto, ainda não há confirmação de que o governo tenha autorizado o emprego da MOAB em uma nova operação militar.
Com aproximadamente 9,8 toneladas, a GBU-43/B foi desenvolvida para explodir antes de atingir o solo, provocando uma intensa onda de choque e destruição em uma extensa área. Apesar do elevado poder destrutivo, a arma não foi projetada para penetrar em grandes profundidades. Por esse motivo, especialistas questionam sua capacidade de atingir instalações nucleares protegidas por camadas de rocha e estruturas fortificadas.
Entre os possíveis alvos mencionados nas avaliações militares está a chamada Montanha da Picareta, no Irã, onde Estados Unidos e Israel acreditam que existam componentes relacionados ao programa nuclear iraniano. A estrutura estaria protegida por camadas de granito, o que dificultaria a ação de armamentos que não tenham capacidade de penetração profunda. Nesse cenário, a utilização da MOAB poderia causar grandes danos na superfície sem necessariamente destruir instalações subterrâneas.
Além das limitações operacionais, o possível emprego da bomba levanta preocupações sobre o risco de vítimas civis. A dimensão da explosão poderia atingir áreas habitadas próximas aos alvos, ampliando as consequências humanitárias de uma eventual ofensiva. Autoridades militares também avaliam que a arma poderia ser utilizada como instrumento de pressão psicológica sobre o governo iraniano, embora sua eficácia para alcançar os objetivos estratégicos da guerra seja questionada.
A MOAB foi utilizada pela primeira vez em combate em abril de 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump, em uma operação contra posições do grupo Estado Islâmico no Afeganistão. Na ocasião, o ataque teve como alvo uma rede de túneis utilizada pelos extremistas. Desde então, a bomba permanece conhecida por sua capacidade de provocar destruição em larga escala, embora não seja considerada a opção mais adequada para atingir estruturas protegidas em grandes profundidades.
A discussão sobre novos ataques também ocorre em um momento de pressão política sobre Trump, diante dos impactos econômicos e da impopularidade da guerra nos Estados Unidos. Entre as preocupações de Washington está a situação do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte internacional de petróleo. Uma eventual retomada das operações militares poderia afetar ainda mais a segurança da região e os mercados globais de energia.
Procurada pela CNN, a Casa Branca afirmou que não comenta operações militares sensíveis, mas declarou que o presidente mantém diferentes alternativas em análise para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear. O Pentágono também informou que trabalha com diversos cenários operacionais. Até o momento, não há confirmação de uma decisão definitiva sobre o uso da “mãe de todas as bombas” contra o território iraniano.
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