
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva de seis investigados por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa que atuaria no Rio de Janeiro. Entre os alvos estão Márcio Canella, apontado pela Polícia Federal (PF) como articulador político do grupo, e Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do estado. A decisão integra o Inquérito 5020, relacionado à Operação Unha e Carne.
Além das prisões, Moraes autorizou buscas pessoais e domiciliares, acesso a dados armazenados em dispositivos eletrônicos, bloqueio de bens e valores e suspensão de atividades econômicas de investigados e empresas. As medidas foram determinadas a partir de pedidos da Polícia Federal, com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Também tiveram a prisão decretada Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo; José Carlos Alves de Souza Júnior; Christiano Gaspar Fernandes; e Giovanni Gaspar Fernandes. Segundo a investigação, o grupo teria uma estrutura organizada em diferentes núcleos, responsáveis pela articulação política, administração empresarial, movimentação financeira e obtenção de proteção institucional.
De acordo com a Polícia Federal, a organização teria utilizado uma rede de postos de combustíveis e empresas para movimentar recursos de origem ilícita e ocultar patrimônio. As apurações apontam que o esquema pode ter movimentado mais de R$ 7,6 bilhões. Entre os crimes investigados estão organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional e fraudes em contratações públicas.
Márcio Canella é apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela articulação entre empresários e agentes públicos, com possível influência na ocupação de cargos estratégicos na administração estadual. A decisão menciona anotações apreendidas pela PF que supostamente registrariam repasses financeiros em seu benefício, além de tratativas relacionadas aos interesses do grupo. As suspeitas ainda serão apuradas no decorrer do inquérito.
Em relação a Marcus Amim, a investigação aponta possível uso da influência de cargos públicos para favorecer a organização. Ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) e ex-secretário de Polícia Civil, ele é citado em apurações sobre movimentações financeiras e supostos pagamentos. Pablo Russo, por sua vez, é apontado como responsável pelo controle da rede de postos, enquanto José Carlos Alves de Souza Júnior teria atuado na administração financeira dos empreendimentos e na distribuição de recursos.
Ao fundamentar as prisões preventivas, Alexandre de Moraes considerou que os elementos reunidos pela PF indicam possíveis crimes e a participação dos investigados, além de riscos à ordem pública e ao andamento das apurações. Entre os fatores considerados estão a possibilidade de continuidade das atividades ilícitas, ocultação de provas, dissipação de patrimônio e interferência em órgãos públicos. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação antecipada.
A decisão também determinou o afastamento cautelar do escrivão da Polícia Federal Fábio Henrique Ferreira dos Santos, suspeito de manter contato com integrantes do grupo e de possível compartilhamento de informações sigilosas. Ele ficará impedido de exercer suas funções, acessar sistemas eletrônicos e entrar nas dependências do órgão ao qual está vinculado.
O Inquérito 5020 investiga a atuação de grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e possíveis conexões com agentes públicos. A apuração está relacionada às medidas determinadas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como ADPF das Favelas. Os investigados têm direito à presunção de inocência, e as acusações dependem de apuração e decisão judicial.
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