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Mercado reage ao resultado eleitoral e Ibovespa bate recorde acima de 206 mil pontos

Bolsa brasileira subiu 7,70% nesta segunda-feira (5), enquanto dólar comercial fechou próximo de R$ 5 após Flávio Bolsonaro liderar o primeiro turno

05/10/2026 às 18h51
Por: João Vitor Viana
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Redes Sociais
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O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte valorização ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após a votação, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, e estabeleceu um novo recorde histórico de fechamento. Durante o dia, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a 209.605,70 pontos, também a maior marca intradiária já registrada.

A alta ocorreu depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como nenhum dos candidatos alcançou mais de 50% dos votos válidos, os dois disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado surpreendeu parte do mercado e provocou forte ajuste nos preços dos ativos brasileiros.

No câmbio, o dólar comercial encerrou o pregão em torno de R$ 5, com queda superior a 4% em relação à sessão anterior. Na cotação oficial PTAX divulgada pelo Banco Central, a moeda norte-americana fechou em R$ 4,9859 na venda e R$ 4,9853 na compra. Foi a primeira vez desde maio que a referência oficial ficou abaixo dos R$ 5.

A movimentação também foi expressiva no mercado acionário. A alta do Ibovespa foi a maior desde março de 2020, quando os mercados globais enfrentavam os efeitos iniciais da pandemia de Covid-19. O volume financeiro das ações que compõem o índice também ficou elevado, superando R$ 79 bilhões no pregão desta segunda-feira.

Entre as empresas que mais contribuíram para a alta estavam grandes bancos, estatais e companhias ligadas ao consumo. Segundo a B3, ações como Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Petrobras e a própria B3 registraram fortes ganhos ao longo do dia. O movimento foi praticamente disseminado entre os setores da Bolsa, embora empresas exportadoras tenham sido prejudicadas pela valorização do real.

A reação positiva dos investidores está relacionada, principalmente, à expectativa de mudança na condução da política econômica caso Flávio Bolsonaro seja eleito. Analistas ouvidos pelo mercado avaliam que uma eventual administração mais alinhada à direita poderia adotar medidas de maior controle dos gastos públicos, além de buscar uma trajetória considerada mais favorável para a dívida pública. Essas expectativas, porém, ainda dependem das propostas que serão apresentadas até o segundo turno.

O desempenho eleitoral do PL no Congresso também entrou no cálculo dos investidores. A ampliação da bancada e a possibilidade de uma base política mais favorável a eventuais medidas econômicas são vistas como fatores que podem facilitar a aprovação de reformas e propostas de ajuste fiscal. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que parte da valorização observada nesta segunda-feira representa uma antecipação do mercado e pode sofrer correções caso as expectativas não se confirmem.

A forte valorização da Bolsa também alcançou empresas específicas. A Petrobras, por exemplo, teve alta superior a 9% nas ações ordinárias e preferenciais durante o pregão, em um movimento influenciado tanto pelo cenário eleitoral quanto por fatores próprios da companhia. Bradesco também registrou avanço expressivo após a aprovação de um aumento de capital de R$ 10 bilhões.

Apesar da euforia, o movimento não representa uma garantia de que os ativos continuarão subindo até o segundo turno. O cenário eleitoral ainda está aberto, e o mercado deverá acompanhar as propostas econômicas dos dois candidatos, especialmente em relação ao equilíbrio das contas públicas, trajetória da dívida, juros e investimentos. Para analistas, a manutenção da valorização dependerá da transformação das expectativas em medidas concretas.

O pregão desta segunda-feira, portanto, marcou uma resposta imediata dos investidores ao resultado das urnas. Com o Ibovespa acima dos 206 mil pontos e o dólar abaixo de R$ 5 na referência oficial do Banco Central, os preços dos ativos passaram a incorporar um cenário político diferente do projetado por parte do mercado antes da votação. A partir de agora, a disputa pelo Palácio do Planalto e as propostas econômicas apresentadas até 25 de outubro devem continuar no centro das atenções dos investidores.

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