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Irã prepara houthis para fechar estreito caso EUA ampliem ataques contra infraestrutura

Teerã orientou o grupo iemenita a bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura de energia iraniana, elevando a tensão no Oriente Médio

16/07/2026 às 13h19
Por: João Vitor Viana
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O governo do Irã teria ordenado que os rebeldes houthis, do Iêmen, estejam preparados para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos realizem novos ataques contra a infraestrutura energética iraniana. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (16) pela agência Reuters, com base em três fontes que afirmaram ter conhecimento das discussões, mas falaram sob condição de anonimato. Segundo os relatos, a orientação foi repassada à liderança houthi como parte da estratégia de resposta à escalada do conflito entre Teerã e Washington.

De acordo com as fontes, os houthis já concluíram os preparativos para uma possível ofensiva na região, posicionando mísseis e drones próximos ao estreito. A expectativa é de que o grupo aguarde apenas a autorização para atacar embarcações que cruzem a passagem marítima. Ainda segundo a Reuters, integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), que estariam no Iêmen, participariam da coordenação da operação e da decisão sobre o momento de um eventual bloqueio.

O Estreito de Bab el-Mandeb é uma das principais rotas do comércio marítimo internacional e responde por cerca de 12% do fluxo global de mercadorias transportadas por navios. A passagem liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é considerada estratégica para o transporte de petróleo entre o Oriente Médio, a Europa e a Ásia. Com o Estreito de Ormuz também sob tensão, um bloqueio simultâneo das duas rotas poderia provocar graves impactos no abastecimento mundial de petróleo e elevar ainda mais os preços da commodity.

Os houthis fazem parte do chamado "Eixo da Resistência", aliança regional apoiada pelo Irã que também reúne o Hezbollah, no Líbano, e grupos armados xiitas no Iraque. Embora o movimento iemenita ainda não tenha entrado oficialmente no confronto direto entre Irã e Estados Unidos, o grupo intensificou as ameaças nos últimos dias. Nesta quinta-feira, o líder Abdul Malik al-Houthi afirmou que instalações petrolíferas e outros alvos estratégicos da Arábia Saudita poderão ser atacados caso o país participe da guerra ao lado dos norte-americanos.

A tensão aumentou após uma nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã. Na quarta-feira (15), as Forças Armadas norte-americanas realizaram ataques contra instalações militares iranianas utilizadas, segundo Washington, para apoiar operações que ameaçam embarcações no Estreito de Ormuz. Explosões foram registradas em Bandar Abbas, principal porto do sul do Irã, e autoridades iranianas confirmaram os bombardeios. Horas antes, outra operação atingiu a ilha de Grande Tunb, no Golfo Pérsico, deixando sete militares iranianos mortos.

Enquanto os ataques aconteciam, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã demonstra interesse em negociar um acordo de paz, mas ressaltou que caberá a Washington decidir os próximos passos. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana voltou a ameaçar interromper outras rotas marítimas utilizadas pelo comércio internacional, afirmando que a exportação de petróleo e gás da região será garantida "para todos ou para ninguém" caso a pressão militar e econômica sobre o país continue.

O cenário amplia o risco de uma escalada no Oriente Médio e preocupa governos e mercados internacionais. Um eventual fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, aliado às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, pode comprometer parte significativa do comércio marítimo global, afetando o transporte de petróleo, combustíveis e outras mercadorias estratégicas, além de aumentar a instabilidade geopolítica na região.

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