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Brasil e Interpol avançam em articulação para combater o crime organizado na América do Sul

A iniciativa foi discutida nesta quarta-feira (17/6), em Évian-les-Bains, na França, durante reunião realizada paralelamente à Cúpula do G7

18/06/2026 às 13h07
Por: João Vitor Viana
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Ricardo Sturckert
Ricardo Sturckert

O Brasil e a Interpol deram mais um passo na construção de uma coalizão internacional voltada ao combate ao crime organizado transnacional na América do Sul. A iniciativa foi discutida nesta quarta-feira (17/6), em Évian-les-Bains, na França, durante reunião realizada paralelamente à Cúpula do G7.

A proposta prevê a integração dos 12 países sul-americanos em ações conjuntas de inteligência, investigação e repressão a crimes como tráfico de drogas e armas, delitos ambientais e lavagem de dinheiro. A articulação é resultado do acordo de cooperação firmado entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Interpol em fevereiro deste ano.

Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a estrutura contará com o apoio do Escritório Regional da Interpol para a América do Sul, localizado em Buenos Aires, além de tecnologia, bancos de dados compartilhados e equipes especializadas. O objetivo é fortalecer a atuação coordenada entre os países para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.

A reunião contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza. De acordo com Urquiza, a coalizão pretende ampliar a produção e o compartilhamento de informações de inteligência para apoiar investigações e operações de combate ao crime organizado em toda a região.

Além das ações de repressão, o encontro discutiu estratégias para rastrear e recuperar recursos financeiros provenientes de atividades ilícitas. Entre as iniciativas está a chamada “Difusão Prateada”, mecanismo criado pela Interpol para localizar bens e ativos ligados a organizações criminosas em diferentes países. A ferramenta integra um programa piloto internacional que reúne dezenas de nações.

Outro tema abordado foi o fortalecimento da segurança do sistema financeiro. A Polícia Federal informou que mantém diálogo com instituições financeiras e com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para ampliar mecanismos de verificação e prevenção a fraudes. A proposta inclui o compartilhamento de informações e, futuramente, o acesso a bases de dados da Interpol para reforçar os controles de segurança.

A cooperação internacional também deverá avançar na área de segurança cibernética. Segundo a Polícia Federal, a estratégia inclui o fortalecimento da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Cyber (Cyberfico), estrutura voltada à prevenção e ao enfrentamento de crimes digitais, especialmente aqueles que afetam crianças e adolescentes.

Durante a reunião, representantes do Brasil e da Interpol ainda discutiram medidas para combater centros internacionais de fraudes e golpes virtuais. A atuação conjunta buscará identificar organizações criminosas envolvidas nesse tipo de atividade, além de resgatar possíveis vítimas submetidas a situações de exploração e tráfico de pessoas.

A expectativa é que a nova coalizão fortaleça a cooperação entre os países sul-americanos, ampliando a capacidade de resposta das forças de segurança diante de desafios cada vez mais complexos e transnacionais.

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