
A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) iniciou neste mês a campanha “Funasa Presente no Rio Doce”, voltada ao monitoramento da qualidade da água em municípios afetados pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. O desastre ocorreu em 2015 e é considerado um dos maiores crimes ambientais da história do país.
As análises marcam a transição das ações de monitoramento após o encerramento das atividades da Fundação Renova, responsável anteriormente pelos estudos na região.
Em entrevista à Voz do Brasil na quinta-feira (28), o presidente da Funasa, Lenildo Morais, informou que os levantamentos já estão em fase final e os resultados devem ser apresentados à população nos próximos dias.
“Na próxima semana já estaremos com todos esses dados monitorados para apresentar à sociedade. As informações serão consolidadas para subsidiar ações estruturantes a partir dessas análises”, afirmou.
O trabalho monitora 173 pontos de coleta distribuídos em 32 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo ao longo da Bacia do Rio Doce. Entre os parâmetros analisados estão cloro residual, pH, turbidez e a presença de microrganismos que indicam contaminação, como coliformes totais e Escherichia coli.
As equipes técnicas atuaram em três frentes simultâneas. A primeira percorreu cidades como Mariana, Barra Longa, Rio Doce, Timóteo e Belo Oriente. A segunda concentrou trabalhos em municípios do médio Rio Doce e na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, incluindo Governador Valadares, Conselheiro Pena, Resplendor e Aimorés. Já a terceira etapa ocorreu em cidades capixabas, como Colatina, Linhares, São Mateus, Aracruz, Conceição da Barra e Marilândia.
Para a operação, a Funasa utilizou três Unidades Móveis de Controle da Qualidade da Água (UMCQA), além de veículos de apoio e laboratórios móveis capazes de realizar análises físicas, químicas e microbiológicas diretamente em campo.
Segundo o órgão, a estrutura permite identificar alterações nos padrões de potabilidade com maior rapidez e ampliar a capacidade de resposta técnica nas regiões monitoradas.
A expectativa é que todas as análises laboratoriais sejam concluídas até o fim deste mês. Após a divulgação dos resultados, o monitoramento deverá continuar de forma permanente.
De acordo com Lenildo Morais, a Funasa já firmou acordo de cooperação técnica com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) para garantir a continuidade do acompanhamento da qualidade da água nas áreas impactadas pelo desastre ambiental.
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