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Motociclistas representam 70% das vítimas de trânsito atendidas no João XXIII em 2026

Hospital referência em trauma em Minas alerta para aumento de acidentes envolvendo motos, principalmente entre jovens

12/05/2026 às 10h16
Por: Cristiane Cirilo
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Fábio Marchetto / SES
Fábio Marchetto / SES

Os motociclistas representam sete em cada dez vítimas de acidentes de trânsito atendidas neste ano no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. Dados da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) mostram que, até 23 de abril, a unidade registrou 2.382 atendimentos envolvendo motociclistas, de um total de 3.431 ocorrências relacionadas ao trânsito.

O levantamento foi divulgado durante a campanha Maio Amarelo 2026, que neste ano traz o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.

Segundo o diretor de urgência do Complexo Hospitalar de Urgência, Rodrigo Muzzi, o perfil das vítimas permanece semelhante ao observado nos últimos anos: homens jovens, entre 19 e 39 anos, muitos deles utilizando a motocicleta como ferramenta de trabalho.

“Grande parte utiliza a moto diariamente para entregas e deslocamentos urbanos. É uma categoria muito exposta e vulnerável no trânsito”, afirmou.

De acordo com o hospital, um dos principais fatores de risco é a circulação nos chamados “corredores” entre os carros, o que aumenta os pontos cegos e o risco de colisões, especialmente próximos a ônibus e veículos maiores.

O ortopedista Alexandre Maru também chamou atenção para o crescimento do número de adolescentes e jovens envolvidos em acidentes. Em 2025, o João XXIII recebeu 595 motociclistas entre 11 e 19 anos. Apenas nos primeiros meses de 2026, já foram 214 casos registrados.

Para o especialista, muitos acidentes estão relacionados à repetição de comportamentos imprudentes no trânsito.

“A pessoa acredita que nada vai acontecer porque já fez aquilo outras vezes. Mas quando se dirige em alta velocidade, fura sinal ou assume riscos constantemente, a chance de um acidente grave aumenta muito”, explicou.

As consequências dos acidentes podem variar entre escoriações leves e traumas graves, incluindo fraturas múltiplas, lesões neurológicas permanentes e mortes. Entre os casos atendidos pelo hospital, são frequentes os traumas cranianos, torácicos e fraturas nos membros superiores e inferiores.

A realidade é refletida na história do gerente de comércio Davi Pereira, de 31 anos, internado desde abril após sofrer um grave acidente de moto. Segundo ele, a colisão aconteceu após um carro frear durante uma curva.

Davi sofreu fratura no fêmur e traumas abdominais, passou por quatro cirurgias e não conseguiu acompanhar o nascimento do filho, ocorrido durante sua internação.

“O trânsito não é brincadeira. Uma pequena falha pode mudar completamente a vida da gente”, relatou.

A campanha Maio Amarelo busca conscientizar motoristas, motociclistas e pedestres sobre responsabilidade e respeito no trânsito, em meio ao aumento dos acidentes envolvendo motos em Minas Gerais.

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