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Professores de universidades estaduais de MG ameaçam greve por descumprimento de acordo

Categoria cobra reposição salarial, cumprimento de pacto judicial e mudanças na carreira; paralisação não está descartada.

02/04/2026 às 12h06
Por: Marina Menta
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Imagem: Divulgação I ALMG
Imagem: Divulgação I ALMG

Professores das universidades estaduais de Minas Gerais podem entrar em greve caso o governo estadual não cumpra um acordo firmado após a paralisação de 2016 e homologado pela Justiça em 2018. 

A possibilidade foi levantada durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na última quinta-feira (26), que marcou o lançamento da campanha salarial da categoria.

O movimento envolve docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que denunciam o não cumprimento de pontos considerados centrais no acordo, especialmente a incorporação de gratificações ao salário básico.

Durante a audiência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, lideranças sindicais afirmaram que a greve pode ser deflagrada caso não haja avanço nas negociações com o Executivo estadual. “Se necessário for, teremos mais uma greve”, declarou o presidente da Associação dos Docentes da Uemg (Aduemg), Túlio César Dias Lopes.

Entre as principais demandas da categoria estão a reposição de perdas salariais acumuladas, estimadas em 82,9%, a incorporação das gratificações aos vencimentos e a valorização da carreira docente.

Segundo representantes sindicais, os professores das duas universidades estaduais estão há cerca de dez anos sem reajuste salarial. Além disso, parte significativa da remuneração depende de gratificações, que podem representar de 40% a 50% do salário, o que gera prejuízos em situações como afastamento para qualificação acadêmica.

Os docentes também afirmam que recebem uma das menores remunerações entre as universidades estaduais do país, o que reforça a pressão por mudanças estruturais na carreira.

Outro ponto central discutido na audiência foi a defesa da autonomia universitária, com apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 59/2025, que busca garantir independência didático-científica, administrativa e financeira às instituições.

A ampliação do regime de dedicação exclusiva também entrou na pauta. Atualmente, apenas uma parcela dos docentes recebe o benefício em Minas Gerais, percentual inferior ao registrado em outros estados.

Parlamentares presentes criticaram o descumprimento de acordos por parte do governo e defenderam avanços nas negociações para evitar uma nova paralisação nas universidades estaduais.

Até o momento, não há definição sobre a greve, mas a categoria sinaliza que a paralisação pode ser adotada como instrumento de pressão caso não haja resposta concreta do Executivo às reivindicações.

 

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