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CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilos de cunhado de empresário ligado ao Banco Master

Medida atinge Fabiano Zettel após movimentações consideradas incompatíveis com renda declarada

31/03/2026 às 15h38
Por: Cristiane Cirilo
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(WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO)
(WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO)

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira (31) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O requerimento, apresentado pelo senador Humberto Costa, solicita ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras o envio do Relatório de Inteligência Financeira (RIF) com dados referentes ao período entre janeiro de 2022 e março de 2026.

A decisão foi tomada após análise de informações que indicam movimentações financeiras consideradas atípicas. Segundo dados do Coaf, Zettel movimentou R$ 99,2 milhões em um intervalo de sete meses, entre junho de 2021 e janeiro de 2022.

De acordo com o relatório, o volume é incompatível com a renda declarada pelo empresário, estimada em cerca de R$ 66 mil mensais. No período analisado, foram registrados aproximadamente R$ 49,9 milhões em créditos e R$ 49,3 milhões em débitos.

O documento da CPI aponta indícios da existência de uma rede de relações financeiras envolvendo fundos de investimento, empresas do setor financeiro e o próprio Banco Master, levantando suspeitas sobre possível circulação e ocultação de recursos de origem ilícita.

O pedido de quebra de sigilo já havia sido aprovado anteriormente, mas foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal por questões procedimentais. Para evitar novos questionamentos, a comissão realizou votação nominal nesta terça-feira, com cinco votos favoráveis e nenhum contrário.

O relatório também identificou transferências feitas por Zettel ao empresário Luis Roberto Neves, que somam R$ 1,5 milhão. Ele é irmão de Paulo Sergio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central do Brasil.

As operações, realizadas em dezembro de 2021 e janeiro de 2022, também serão analisadas no âmbito da investigação.

A CPI segue apurando a possível utilização de estruturas financeiras para práticas ilícitas, e novas diligências não estão descartadas.

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