
O mercado brasileiro de produtos e serviços para animais de estimação apresentou retração real em 2025, interrompendo uma sequência de crescimento iniciada durante a pandemia. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação, o setor faturou R$ 77,96 bilhões no ano passado, o que representa alta nominal de 3,45%. No entanto, com a inflação medida pelo IPCA em 4,26%, houve queda no desempenho em termos reais.
O recuo é o primeiro desde 2019 e reflete um cenário de consumo mais retraído, aliado à pressão de custos, especialmente no segmento de alimentação animal. A valorização do dólar também impactou o setor, já que parte dos insumos utilizados na produção de ração é importada ou tem preço atrelado à moeda estrangeira.
Principal motor do mercado, o segmento de pet food concentrou 53,1% do faturamento total em 2025. Mesmo com crescimento de 1,6%, alcançando R$ 41,41 bilhões, o desempenho foi considerado limitado diante do peso que a categoria exerce sobre o setor. A produção nacional de ração somou 4 milhões de toneladas, volume abaixo da metade da capacidade instalada no país.
Outros segmentos apresentaram crescimento mais consistente. A venda de animais movimentou R$ 8,56 bilhões, seguida por medicamentos veterinários, com R$ 8,21 bilhões. Serviços veterinários somaram R$ 8,18 bilhões, enquanto serviços gerais, como banho e tosa, atingiram R$ 6,94 bilhões. Já os produtos de cuidados e bem-estar totalizaram R$ 4,63 bilhões.
No varejo, os pet shops de pequeno e médio porte seguem liderando, com 48,1% das vendas. Clínicas e hospitais veterinários aparecem na sequência, com 17,5%. As megastores, como Cobasi e Petz, que passaram por fusão recente, representam 9,6% do faturamento.
O comércio eletrônico também mantém participação relevante, com 8,1% das vendas totais. Dentro desse canal, os pet shops especializados dominam o faturamento, seguidos pelas lojas virtuais das grandes redes e pelos pequenos e médios varejistas digitais.
A Abempet avalia que o cenário para 2026 ainda é desafiador, especialmente após o setor não ter sido contemplado na reforma tributária. A entidade defende a redução da carga de impostos sobre a cadeia produtiva, argumentando que a medida poderia impulsionar a produção de ração e ampliar a arrecadação.
Segundo a associação, atualmente os fabricantes de alimentos para pets enfrentam desvantagem competitiva em relação aos produtores de ração para animais de abate, que contam com incentivos fiscais e conseguem adquirir insumos a custos significativamente menores.
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