
O tema foi debatido nesta quinta-feira (19), em Belo Horizonte, durante evento promovido pela Araújo Fontes e pelo escritório TozziniFreire
A avaliação de especialistas é que a reforma tende a redesenhar o cenário econômico, com impactos distintos entre setores. Enquanto a indústria pode se beneficiar de uma base mais ampla de créditos tributários, empresas de serviços devem enfrentar aumento de custos, sobretudo com o fim de incentivos fiscais.
De acordo com a advogada Renata Emery, sócia do TozziniFreire, o principal desafio será absorver os efeitos negativos da mudança no sistema.
Segundo ela, as empresas terão três caminhos: negociar com fornecedores, reduzir margens de lucro ou repassar os custos ao consumidor final. “Se não houver ajuste interno, o repasse será inevitável, e isso pode pressionar os preços”, afirmou durante o debate.
A expectativa é que o impacto inflacionário ocorra de forma gradual ao longo do período de transição, que deve se estender até 2033, quando o novo modelo estará totalmente implementado.
O impacto tende a ser mais sensível para pequenas e médias empresas, especialmente aquelas enquadradas no Simples Nacional. Isso porque, no novo modelo, essas empresas podem não gerar créditos tributários para seus clientes, o que pode afetar sua competitividade.
No novo sistema, baseado na criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), a lógica de compensação de créditos passa a ser central, o que favorece empresas inseridas em cadeias mais estruturadas.
Negócios como padarias, salões de beleza e outros serviços locais podem enfrentar dificuldades para se adaptar a essa dinâmica, segundo especialistas.
Além do impacto financeiro, a adaptação operacional também preocupa. Empresas de médio porte, fora do Simples, devem lidar com mudanças em sistemas, tecnologia da informação e obrigações acessórias.
A expectativa é que essas empresas levem mais tempo para se adequar às novas regras, aumentando o risco de erros e custos adicionais durante o período de transição.
A reforma tributária é considerada uma das principais mudanças estruturais da economia brasileira nas últimas décadas. Embora o objetivo seja simplificar o sistema e aumentar a eficiência, o processo de adaptação deve exigir planejamento e ajustes por parte das empresas.
No curto prazo, especialistas apontam que os efeitos tendem a ser desiguais entre setores, com potencial impacto no custo de serviços e reflexos no bolso do consumidor.
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