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Esporotricose em gatos avança no Brasil e preocupa autoridades de saúde

Doença causada por fungo pode atingir humanos e já acende alerta sanitário em diversas cidades

11/03/2026 às 14h23
Por: Vitória Carneiro
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Divulgação: Internet
Divulgação: Internet

Com a proximidade do Dia Nacional dos Animais, celebrado em 14 de março, especialistas alertam para o avanço da esporotricose felina no Brasil. A doença, causada por fungos do gênero Sporothrix, tem se tornado um dos principais desafios sanitários urbanos, principalmente em regiões com grande número de gatos em situação de rua.

Além de afetar os animais, a esporotricose também pode ser transmitida para humanos, o que aumenta a preocupação das autoridades de saúde.

Segundo o professor de medicina veterinária Carlos Brunner, a doença ganhou força no país após o surgimento da espécie Sporothrix brasiliensis, considerada mais transmissível.

De acordo com o especialista, a infecção provoca lesões na pele dos animais, que começam como pequenos nódulos e podem evoluir para feridas abertas com secreção.

As feridas costumam se espalhar pelo corpo e apresentam dificuldade de cicatrização. O tratamento com antifúngicos costuma ser longo e exige acompanhamento veterinário.

Casos em crescimento

O avanço da doença tem levado autoridades a reforçar o monitoramento. No início deste ano, o Ministério da Saúde incluiu a esporotricose humana na lista de doenças de notificação obrigatória.

No caso dos animais, o controle segue sendo realizado pelos serviços de vigilância sanitária de cada estado.

Dados divulgados pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde da cidade de São Paulo apontam que, apenas na capital paulista, foram registrados 3.368 casos de gatos infectados em 2024, número mais de três vezes superior ao registrado em 2020.

Novas alternativas de tratamento

Apesar do cenário preocupante, pesquisadores brasileiros trabalham em novas estratégias de tratamento para a doença.

Uma das tecnologias em desenvolvimento é o equipamento chamado Sporo Pulse, criado pela startup Akko Health Devices sob liderança do pesquisador Carlos Brunner.

A técnica utiliza um método chamado eletroporação, que aplica pulsos elétricos controlados com o objetivo de eliminar o fungo causador da doença.

Segundo o pesquisador, a nova abordagem pode reduzir o tempo de tratamento, diminuir os custos e apresentar bons resultados mesmo em animais que não respondem à terapia convencional.

Outra vantagem apontada é a necessidade de menos manipulação do animal durante o tratamento, o que pode facilitar o manejo de gatos infectados.

Especialistas reforçam que, além do tratamento, o controle da doença depende de políticas públicas, atendimento veterinário acessível e ações de cuidado com animais em situação de rua.

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