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Aparelho desenvolvido pela UFMG identifica idade gestacional de recém-nascidos em segundos

Tecnologia criada por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais pode ajudar a identificar bebês prematuros e reduzir a mortalidade, especialmente em casos sem acompanhamento pré-natal

11/03/2026 às 10h23
Por: Cristiane Cirilo
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Olidef Medical
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Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um aparelho capaz de identificar, em poucos segundos, a idade gestacional de bebês recém-nascidos. A tecnologia pode ajudar médicos a reconhecer casos de prematuridade, principalmente quando a mãe não realizou acompanhamento pré-natal durante a gestação.

O objetivo do equipamento é contribuir para a redução da mortalidade neonatal. Bebês que nascem antes do tempo adequado podem apresentar complicações, como problemas respiratórios, e muitas vezes precisam de atendimento em unidades hospitalares mais avançadas.

De acordo com a pesquisadora Zilma Reis, que coordena o estudo na universidade, o exame deve ser realizado nas primeiras 24 horas após o nascimento.

“A ideia surgiu de um grande problema enfrentado nas maternidades, que é identificar rapidamente o bebê prematuro. As tecnologias existentes dependem do acesso ao pré-natal e ao ultrassom, o que nem sempre acontece em muitos cenários”, explicou.

O aparelho utiliza um feixe de luz infravermelha invisível ao olho humano que analisa características da pele do recém-nascido. A partir da forma como a luz é absorvida, refletida e espalhada, o sistema calcula um indicador matemático que permite estimar a maturidade do bebê.

Segundo os pesquisadores, esse indicador está relacionado ao desenvolvimento dos pulmões e de outros órgãos, permitindo identificar se o nascimento ocorreu antes do tempo adequado.

Um bebê é considerado prematuro quando nasce antes de 37 semanas de gestação, período em que o organismo ainda pode não ter atingido a maturidade completa.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais indicam que cerca de 11% dos bebês nascidos no estado são prematuros.

O desenvolvimento da tecnologia envolveu uma equipe multidisciplinar formada por médicos, físicos, engenheiros e cientistas da computação. Os testes foram realizados em cinco centros de referência materno-infantil no Brasil e também em uma unidade na África.

Agora, a tecnologia aguarda a publicação de uma portaria do governo federal para ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Após a autorização, a previsão é que o equipamento comece a ser utilizado nos serviços de saúde em até 180 dias.

O dispositivo já foi utilizado em comunidades indígenas no estado do Amazonas, onde muitas gestantes têm acesso limitado a exames e consultas durante a gravidez.

Segundo a pesquisadora, os testes mostraram resultados positivos e ajudaram equipes médicas a identificar bebês que precisavam de transferência para hospitais com maior estrutura, contribuindo para salvar vidas.

Apesar da inovação, Zilma Reis ressalta que o acompanhamento médico durante a gravidez continua sendo essencial.

“O aparelho é uma ferramenta a mais. O que garante uma gestação segura e reduz os riscos de prematuridade é um pré-natal de qualidade”, destacou.

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