
Iniciada nesta segunda-feira (19), a Greve dos Garis de Belo Horizonte, que conta com a adesão de 180 trabalhadores da Sistemma Serviços Urbanos, segue sem prazo para terminar, deixando quatro regiões da capital sem coleta de lixo.
A estimativa, segundo os próprios grevistas, é de que mais de 1,6 mil toneladas de lixo tenham sido deixados de ser recolhido, nas regiões Leste, Nordeste e Noroeste, em dois dias de movimento.
Os trabalhadores cobram melhores condições de trabalho, denunciam o sucateamento da classe por parte da empresa, com caminhões em péssimo estado de conservação, falta de equipamentos de proteção individual, expondo os garis a jornadas excessivas e descumprindo direitos trabalhistas.
Entre eles, está o atraso no pagamento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos funcionários e a falta de um convênio médico.
Segundo os manifestantes, há 12 anos, os trabalhadores esperam por um plano de saúde, que nunca foi ofertado para categoria.
Por meio de nota, a empresa disse ter sido surpreendida pela paralisação, alegou não ter sido informada com antecedência, recebido algum tipo de reinvindicação e, por isso, classificou o movimento como irregular.
Um proposta para encerrar a greve chegou a ser apresentada, mas não agradou os trabalhadores. O acordo previa a contratação de apenas 10 funcionários para recompor o quatro e pedia um prazo de mais dez dias para a manutenção dos veículos.
Já na manhã desta terça-feira (20), ao perceber que a paralisação continuaria, sem a possibilidade de um acordo entre a empresa e os funcionários, a Prefeitura de Belo Horizonte montou um plano de contingência para reduzir os impactos aos moradores da capital.
De forma emergencial, foram mobilizados 308 garis e 47 caminhões, sendo 38 basculantes e 9 compactadores, para atender as áreas mais afetadas.
Todo efetivo é proveniente de outros contratados terceirizados e parte dele vem de recursos próprios da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).
A PBH, ainda fez questão de esclarecer, por meio de nota, que "não há qualquer tipo de atraso nos repasses de recursos da Prefeitura para as empresas contratadas para executar o serviço de coleta do lixo", lamentando os transtornos e pedindo desculpas a população.
Nas imagens feitas pela repórter cinematográfico, Suylan Rikelme, durante a tarde, é possível ver que cerca de 50 funcionários permaneciam na porta da empresa, as margens do Anel Rodoviário, na altura do bairro São Gabriel, cobrando uma solução e garantindo que nenhum caminhão de coleta sairia de dentro do local.
Viaturas da Guarda Municipal acompanhavam o movimento, garantindo que nem a marginal, nem o anel fossem fechados pelos manifestantes, que ameaçaram por diversas vezes interromper o trânsito para forçar um acordo.
No início da noite, uma assembleia foi convocada pela Superintendência Regional do Trabalho de Minas Gerais para essa quarta-feira (21).
O objetivo é debater as reinvindicações da categoria junto com representantes do Sindeac, da Prefeitura de Belo Horizonte e da Sistemma de Serviços Urbanos.
O encontro deve acontecer, as 08h na sede da empresa. A expectativa é de que um acordo possa ser mediado nesse encontro.
Mín. 17° Máx. 20°