
A Organização dos Estados Americanos realiza nesta terça-feira (6), ao meio-dia, uma reunião extraordinária para discutir a operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3). O encontro ocorre em meio a um cenário de forte polarização política entre os países do continente.
Criada em 1948 e sediada em Washington, a OEA reúne 35 Estados independentes das Américas e atua como principal fórum político e jurídico regional. No entanto, a organização enfrenta questionamentos sobre sua legitimidade e capacidade de mediação. Analistas apontam que parte dos países membros vê o organismo como alinhado historicamente aos interesses norte-americanos, o que teria contribuído para a perda de credibilidade ao longo dos anos.
Segundo o analista internacional Américo Martins, a reunião desta terça deve refletir esse desgaste. Países como Brasil, Chile, Uruguai, México e Colômbia tendem a adotar um discurso crítico à ação militar, defendendo o respeito ao direito internacional e à soberania dos Estados. Em sentido oposto, governos mais alinhados ao presidente Donald Trump, como Argentina, Paraguai e Bolívia, podem usar o espaço para reforçar críticas ao governo venezuelano e demonstrar apoio à ofensiva norte-americana.
Para Américo Martins, a expectativa é de que o encontro tenha efeito prático limitado. Na avaliação do analista, assim como ocorreu na reunião do Conselho de Segurança da ONU realizada na segunda-feira (5), o debate tende a se restringir ao campo retórico, sem encaminhamentos concretos.
Durante a sessão do Conselho de Segurança, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, defendeu a soberania venezuelana e ressaltou o compromisso histórico da América do Sul com a não intervenção. Representantes da Rússia e da China também criticaram a atuação dos Estados Unidos e alertaram para os riscos de precedentes no sistema internacional.
Além da OEA, o tema já foi discutido pela Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, que se reuniu no domingo (4) sem alcançar consenso. O Itamaraty, por meio do chanceler Mauro Vieira, manteve posição contrária à captura de Maduro e à ação militar, defendendo soluções diplomáticas e sem ingerência externa, posição também expressa em nota conjunta assinada por países latino-americanos e pela Espanha.
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