A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou que a vacina Calixcoca, desenvolvida para combater a dependência de cocaína e crack, apresentou resultados promissores em testes pré-clínicos com camundongos. A pesquisa, financiada pelo Governo de Minas e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), pode avançar para testes em humanos nos próximos quatro anos, caso obtenha aprovação regulatória.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, a vacina se mostrou eficaz na redução dos efeitos da droga, da dependência e do risco de abortos em camundongos grávidos expostos à substância. “É a primeira vacina voltada ao consumo de crack e cocaína, baseada em molécula sintética, que impede que a droga alcance o cérebro e bloqueia seus efeitos no sistema nervoso central”, afirmou.
O pró-reitor de Pesquisa da UFMG, Fernando Reis, explicou que a próxima etapa envolve a fase pré-clínica burocrática e regulatória, preparando o estudo para os testes clínicos em pessoas. “A expectativa é que, se aprovada, a vacinação em humanos ocorra entre o terceiro e quarto ano do projeto”, disse Reis, destacando que o prazo poderá ser ajustado conforme as necessidades do estudo.
Além de atuar diretamente na dependência química, a Calixcoca pode trazer benefícios indiretos à saúde pública, ao reduzir complicações comuns entre usuários, como doenças respiratórias e prematuridade em filhos de mães dependentes. Baccheretti destacou que a vacina deverá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) após aprovação da Anvisa, reforçando seu potencial impacto na saúde coletiva.
O desenvolvimento da vacina é respaldado por patentes nacional e internacional, e os testes contam com aporte de R$ 18,8 milhões do governo estadual, sendo R$ 10 milhões da Secretaria de Saúde e R$ 8,8 milhões da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, por meio da Fapemig. Recursos adicionais já foram investidos em chamadas públicas para apoiar a pesquisa.
A Calixcoca surge como uma alternativa inovadora no enfrentamento da dependência de cocaína e crack, oferecendo uma abordagem científica baseada em imunização, que ainda precisa superar etapas regulatórias antes de chegar à população.
Mín. 16° Máx. 29°