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Motorista de carreta envolvido em acidente que matou 39 pessoas na BR-116 vira réu e enfrentará júri popular

Ele responderá por homicídio qualificado e teve a prisão preventiva mantida

22/03/2025 às 16h00
Por: Redação
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Reprodução
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A Justiça de Minas Gerais decidiu levar a júri popular o motorista Arilton Bastos Alves, envolvido no trágico acidente na BR-116, em Teófilo Otoni (MG), que resultou na morte de 39 pessoas em dezembro de 2024. Ele responderá por homicídio qualificado e teve a prisão preventiva mantida.

A decisão judicial também incluiu Hudson Foca, proprietário da empresa responsável pela carga transportada na carreta, no banco dos réus. Além da acusação de homicídio qualificado, ele responderá por falsidade ideológica, por supostamente burlar fiscalizações ao inserir dados falsos no manifesto de carga.

"O Ministério Público não o denuncia apenas por ser dono da empresa, mas por ter contribuído diretamente para que a carreta trafegasse com peso acima do permitido, o que influenciou no acidente", afirmou o juiz Danilo de Mello Ferraz.

A tragédia aconteceu na madrugada de 21 de dezembro de 2024 e envolveu três veículos: a carreta carregada de rochas, um ônibus de turismo e um carro de passeio. Segundo as investigações, um dos blocos de quartzito – pesando várias toneladas – se desprendeu do reboque e atingiu o ônibus da empresa Emtram, que transportava 45 passageiros de São Paulo para a Bahia. Apenas seis pessoas sobreviveram.

Após o acidente, Arilton fugiu do local, apresentando-se à polícia dois dias depois. Inicialmente, foi liberado, mas acabou preso em 21 de janeiro deste ano.

Laudos periciais apontaram que, no momento do acidente, o motorista Arilton Bastos Alves estava sob efeito de cocaína, ecstasy e álcool. Segundo o superintendente de Polícia Técnico-Científica da PCMG, Thales Bittencourt, as substâncias foram quantificadas, confirmando que ele dirigia sob influência de drogas.

Além disso, investigações revelaram que a carreta trafegava em excesso de velocidade. No momento da batida, o veículo estava a 90 km/h, enquanto o limite da via era de 80 km/h.

Outro fator apontado na denúncia do Ministério Público é o peso da carga. A carreta transportava dois blocos de quartzito, totalizando mais de 68 toneladas. Somado ao peso do veículo e dos semirreboques, o conjunto ultrapassava 91 toneladas, quase o dobro do permitido por lei.

De acordo com a Polícia Civil, o empresário Hudson Foca teria fraudado documentos para que a carreta circulasse com o excesso de carga sem ser barrada em fiscalizações.

Os réus serão julgados por homicídio qualificado das 39 vítimas e tentativa de homicídio contra os 11 sobreviventes. Além disso, Arilton responderá por omissão de socorro e fuga do local do acidente. Já o empresário também enfrentará a acusação de falsidade ideológica.

Ainda não há data definida para o júri popular, mas a expectativa é que o caso seja levado a julgamento nos próximos meses.

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