O Hospital São João de Deus, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está à beira do colapso financeiro devido à falta de repasses da prefeitura. Com um déficit de aproximadamente R$ 4,45 milhões, a unidade centenária, referência no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi obrigada a reduzir atendimentos e suspender serviços essenciais, incluindo hemodiálise e análise patológica. Funcionários com previsão e benefícios atrasados, e médicos da unidade também não receberam seus pagamentos.
Segundo a diretora do hospital, Ana Fernandes, a crise se agravou nos últimos meses, e a manutenção das operações básicas se tornou um desafio. “A cada mês, uma situação piora. Já tivemos o abastecimento de oxigênio suspenso pelo fornecedor, e estamos operando com o que restou no tanque. A hemodiálise foi interrompida, os atendimentos eletivos ficam suspensos e o CTI só recebe pacientes que não realizam esse serviço. Em breve, até a lavanderia pode ser interrompida”, alerta.
Os atrasos nos repasses, conforme a direção do hospital, remontam a outubro de 2024. Sem um cronograma de pagamento definido, a instituição tem arcado sozinho com despesas fixas e a folha de pagamento dos últimos três meses do ano passado. Ana Fernandes afirma manter diálogo com a nova administração municipal, que assumiu em janeiro, mas cobra uma solução urgente. “Eles alegaram que herdaram uma gestão individualizada, mas precisamos que, no mínimo, os repasses atuais sejam regularizados. Todo mês vencem parcelas que precisamos sair”, explica.
Diante da crise, o hospital acionou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), buscando intervenção para garantir os recursos necessários à continuidade dos atendimentos.
A prefeitura de Santa Luzia reforçou os atrasos e atribui o problema às dívidas herdadas da gestão anterior. Em nota, informou que já pagou R$ 3 milhões desde janeiro e que os repasses previstos para o hospital são de R$ 2,2 milhões mensais. O Executivo argumenta que está trabalhando para regularizar a situação.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) negou qualquer pendência financeira com o hospital. Segundo a pasta, a unidade recebe R$ 1.272.704,45 anualmente via programa estadual, com repasses trimestrais baseados no cumprimento de metas. A última parcela, referente ao primeiro quadrimestre de 2025, foi quitada em fevereiro.
Mín. 21° Máx. 30°