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Nobel de Química premia cientistas e descoberta pode ter avanços significativos na área farmacêutica

Henri Kagan e Kenso Soai foram reconhecidos por estudos sobre moléculas que podem existir em versões espelhadas e pela descoberta de mecanismos capazes de favorecer uma dessas formas

07/10/2026 às 13h45
Por: Daniel Mendes
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Reprodução: Pexels
Reprodução: Pexels

Os cientistas Henri Kagan, da França, e Kenso Soai, do Japão, receberam nesta quarta-feira (7) o Prêmio Nobel de Química de 2026 por pesquisas que ajudaram a solucionar um antigo mistério da química: por que determinadas moléculas aparecem predominantemente em apenas uma de suas duas formas possíveis, como se fossem imagens refletidas em um espelho.

O fenômeno está relacionado às chamadas moléculas quirais, que possuem estruturas semelhantes, mas que não podem ser perfeitamente sobrepostas à sua imagem no espelho. A diferença pode parecer pequena, mas tem consequências importantes na natureza e na produção de medicamentos.

Descoberta ajuda a compreender processos da vida

O trabalho dos dois pesquisadores contribuiu para explicar como uma reação química pode favorecer uma determinada “versão” de uma molécula em vez de produzir quantidades semelhantes das duas formas.

Na década de 1980, Kagan demonstrou que pequenas diferenças na orientação de moléculas poderiam ser amplificadas durante determinadas reações químicas. Anos depois, Soai avançou nessa linha ao desenvolver reações de autocatálise, nas quais o próprio produto participa como catalisador e ajuda a produzir mais moléculas com a mesma orientação.

Essas pesquisas ajudaram a esclarecer o chamado fenômeno da homoquiralidade, observado em componentes fundamentais dos seres vivos. Moléculas presentes em estruturas biológicas, como aminoácidos e açúcares, aparecem predominantemente em uma determinada configuração.

Impacto na produção de medicamentos

A possibilidade de controlar qual versão de uma molécula é produzida tem importância direta para a indústria farmacêutica. Isso ocorre porque duas moléculas que são imagens espelhadas uma da outra podem apresentar comportamentos diferentes dentro do organismo.

O desenvolvimento de métodos capazes de selecionar uma dessas formas permite produzir medicamentos com maior precisão e reduzir a presença de versões indesejadas durante a fabricação. O tema também é associado ao caso da talidomida, medicamento cuja utilização no século 20 provocou graves efeitos em fetos devido às propriedades de suas diferentes formas moleculares.

Pesquisadores dividirão prêmio

Kagan, de 95 anos, é ligado à Universidade Paris-Sud, na França. Soai, de 76 anos, atua na Universidade de Ciência de Tóquio, no Japão. Os dois dividirão o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão. A cerimônia oficial de entrega do Nobel será realizada em 10 de dezembro, em Estocolmo, na Suécia.

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