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Fifa pune Argentina por racismo e restringe público em jogos da seleção

Federação argentina terá de disputar ao menos uma partida em casa com apenas 50% da capacidade do estádio; Paredes é suspenso por 10 jogos após confusão na final da Copa do Mundo

21/08/2026 às 14h27
Por: Cristiane Cirilo
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Dylan Martinez/Reuters
Dylan Martinez/Reuters

A Fifa puniu a Associação de Futebol Argentino (AFA) por episódios de racismo, discriminação e outros incidentes registrados durante a Copa do Mundo de 2026. A entidade terá de disputar dois jogos em casa com apenas 50% do estádio aberto ao público, mas uma das partidas está suspensa e só será aplicada em caso de reincidência.

A decisão do Comitê Disciplinar da Fifa foi divulgada nesta sexta-feira (21) e também inclui punições a jogadores envolvidos na confusão após a final do Mundial, entre Argentina e Espanha.

O meio-campista Leandro Paredes recebeu a punição mais pesada: 10 jogos de suspensão e multa de US$ 90 mil (cerca de R$ 465 mil). O lateral Nahuel Molina foi suspenso por sete partidas e também multado em US$ 90 mil.

Thiago Almada e o espanhol Gavi receberam um jogo de suspensão cada, além de multa de US$ 30 mil. O auxiliar técnico argentino Roberto Ayala foi punido com três partidas e multa de US$ 30 mil.

As suspensões deverão ser cumpridas nos próximos jogos das respectivas seleções.

Racismo e discriminação

A punição à Argentina levou em consideração episódios de cânticos e gestos racistas, homofóbicos e discriminatórios praticados por torcedores durante partidas contra Cabo Verde, Egito, Suíça, Inglaterra e Espanha.

Também foram considerados o uso de uma bandeira relacionada às Ilhas Malvinas, o lançamento de objetos no campo, atrasos no início de partidas e violações dos protocolos de segurança.

Ao todo, a AFA foi multada em US$ 321 mil. Desse valor, US$ 100 mil deverão ser destinados a um plano de combate à discriminação, que terá de ser aprovado pela Fifa.

A entidade também poderá substituir parte da restrição de público por uma medida alternativa, caso aprovada pela Fifa: ocupar uma parcela das arquibancadas com grupos comunitários ou organizações voltadas ao combate à discriminação, acompanhada de ações educativas.

Confusão na final

As punições individuais mais severas estão relacionadas à briga generalizada entre jogadores de Argentina e Espanha após o apito final da decisão da Copa do Mundo, disputada em 19 de julho.

Paredes foi suspenso por 10 partidas após sua participação na confusão. Molina recebeu sete jogos de gancho, enquanto Almada e Gavi foram punidos com uma partida cada.

O auxiliar argentino Roberto Ayala também foi responsabilizado e terá de cumprir três jogos de suspensão.

Segundo a Fifa, as decisões foram tomadas após análise dos incidentes e de um relatório elaborado pelo procurador responsável pelos aspectos disciplinares e éticos da competição.

Argentina pode cumprir punição em amistosos

A restrição de público deverá ser aplicada aos próximos jogos oficiais da seleção argentina como mandante. No entanto, uma das duas partidas e US$ 100 mil da multa estão suspensos por um período de prova.

Como a Argentina é uma das sedes da Copa do Mundo de 2030 e pode não precisar disputar as Eliminatórias para o próximo Mundial, existe a possibilidade de a seleção não ter partidas oficiais em casa nos próximos anos.

Nesse cenário, a punição poderá ser cumprida em jogos amistosos, conforme as regras da Fifa.

AFA pretende recorrer

A Associação de Futebol Argentino informou que recebeu o detalhamento das sanções e pretende solicitar os fundamentos das decisões que podem ser revisadas.

A entidade afirmou que apresentará recursos dentro da própria Fifa e que poderá recorrer posteriormente à Corte Arbitral do Esporte (CAS), caso seja necessário.

As partes envolvidas têm 10 dias para solicitar uma decisão fundamentada do Comitê Disciplinar. Depois disso, o documento poderá ser publicado pela Fifa. As decisões permanecem sujeitas a recurso.

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