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PF intima Jaques Wagner para depor em investigação sobre supostos pagamentos

A intimação ocorre pouco mais de um mês após o parlamentar ter sido alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF)

21/07/2026 às 13h43
Por: João Vitor Viana
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Agência Brasil
Agência Brasil

A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA) para prestar depoimento no próximo dia 7 de agosto no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção e fraudes financeiras relacionado ao Banco Master. A oitiva será realizada presencialmente na Superintendência da PF, em Brasília. A intimação ocorre pouco mais de um mês após o parlamentar ter sido alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, Wagner é apontado como o "suposto beneficiário central" de vantagens econômicas oferecidas por integrantes do grupo ligado ao Banco Master. A Polícia Federal suspeita que o senador tenha recebido pagamentos, benefícios patrimoniais e outras vantagens em troca de atuar politicamente em favor de interesses da instituição financeira no Congresso Nacional, especialmente durante a tramitação da chamada "Emenda Master", proposta que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e beneficiaria bancos de menor porte.

As investigações indicam uma relação próxima entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno. Mensagens obtidas pela PF mostram conversas entre os dois sobre temas de interesse do banco e reuniões realizadas no gabinete do senador, em Brasília. Para os investigadores, os contatos demonstram um acompanhamento frequente de pautas estratégicas para o grupo financeiro.

Entre os benefícios sob investigação estão a compra de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, que teria sido destinado à filha do senador, além de repasses de aproximadamente R$ 3,5 milhões para uma empresa administrada por sua nora. A PF também apura o custeio de viagens, hospedagens e outros gastos pessoais supostamente bancados por Augusto Lima. Os investigadores afirmam que esses pagamentos teriam ocorrido de forma indireta para ocultar a origem dos recursos.

Na 9ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18 de junho, agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Salvador e Brasília. Durante a operação foram apreendidos cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros em espécie. Wagner afirmou que os valores têm origem lícita e correspondem, em parte, a diárias recebidas em viagens internacionais e a moeda estrangeira adquirida legalmente para viagens ao exterior.

Após a operação, Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado. Na ocasião, afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para evitar desgastes ao governo e declarou que sua prioridade seria comprovar a própria inocência. O senador nega ter recebido qualquer vantagem indevida, afirma que sua relação com Augusto Lima era de amizade e sustenta que jamais atuou em favor do Banco Master ou de qualquer instituição financeira em troca de benefícios.

O depoimento marcado para 7 de agosto faz parte da etapa de coleta de provas da investigação. A Polícia Federal busca esclarecer a origem dos recursos, a natureza dos pagamentos e se houve contrapartidas políticas em benefício do Banco Master. Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra o senador, e o caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal.

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