
A Arquidiocese de Belo Horizonte vai incluir o retrato do padre Francisco Martins Dias na galeria oficial de párocos da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, no Centro da capital mineira. A cerimônia está marcada para a próxima quarta-feira (27) e marca o reconhecimento histórico do sacerdote negro que atuou durante a fundação de Belo Horizonte.
Francisco Martins Dias foi o último vigário do antigo Arraial do Curral del Rei e também o primeiro pároco da nova capital mineira. Mesmo tendo participado diretamente da transição entre o arraial e a construção da cidade planejada, o religioso permaneceu fora, por décadas, dos registros oficiais de memória da Igreja Católica em Belo Horizonte.
A iniciativa partiu do padre Mauro Luiz da Silva, que apresentou a proposta de reconhecimento à Arquidiocese. Segundo ele, a medida representa uma forma de corrigir um apagamento histórico.
“Padre Francisco Martins Dias teve participação decisiva na história de Belo Horizonte, mas acabou invisibilizado ao longo do tempo. A inclusão do retrato dele na galeria é uma forma de reconhecer oficialmente essa trajetória”, afirmou.
Além da atuação religiosa, Francisco Martins Dias também teve participação importante na vida cultural e intelectual da cidade. Ele fundou o primeiro jornal de Belo Horizonte e é considerado um dos primeiros cronistas da história da capital mineira.
Para o padre Mauro Luiz da Silva, o reconhecimento também possui relevância social diante do debate sobre memória e reparação racial.
“É um reconhecimento importante não apenas para a Igreja, mas para a própria cidade, porque ele participou diretamente de um momento fundacional de Belo Horizonte”, destacou.
A cerimônia de inclusão do retrato será realizada na próxima quarta-feira, dia 27, entre 15h e 16h, na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, próxima ao lavabo da antiga matriz da igreja, na Rua Sergipe, 175, no Centro de Belo Horizonte.
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