
Três décadas após o episódio que projetou Varginha, no Sul de Minas Gerais, para o centro das discussões ufológicas no Brasil, documentos oficiais das Forças Armadas voltam a lançar luz sobre o caso. Arquivos mantidos pelo Superior Tribunal Militar (STM) indicam que não foram encontradas evidências capazes de comprovar a existência de um ser extraterrestre, contrariando a narrativa que se popularizou desde os anos 1990.
O material faz parte de um Inquérito Policial Militar instaurado em março de 1997 pelo comando da Escola de Sargentos do Exército. O procedimento, composto por dois volumes com cerca de 300 páginas cada, teve como finalidade apurar rumores sobre uma suposta participação de militares e o uso de viaturas do Exército na captura e no transporte de uma criatura desconhecida. Ao final da investigação, os autos foram arquivados e permanecem sob guarda do STM.
Segundo nota divulgada pelo tribunal, a apuração concluiu que o episódio teve origem em um relato ocorrido em um dia de chuva intensa, com registros de granizo na cidade. Três jovens afirmaram ter visto uma figura agachada próxima a um muro em um bairro de Varginha. Depoimentos colhidos no inquérito, incluindo o de um militar do Corpo de Bombeiros, apontam que a cena pode ter sido resultado de um equívoco de interpretação.
A investigação sustenta a hipótese de que as testemunhas confundiram a suposta criatura com um homem que apresentava transtornos mentais, conhecido por circular pela cidade e permanecer frequentemente agachado em locais públicos. Fotografias anexadas ao inquérito reforçam essa versão, indicando que, molhado pela chuva e abrigado junto ao muro, ele teria sido identificado de forma equivocada como um ser extraterrestre.
O inquérito também ouviu os ufólogos responsáveis por uma obra que ajudou a difundir o caso nacionalmente e motivou diversas reportagens à época. Todos os militares citados no livro prestaram depoimento formal e negaram qualquer envolvimento com o suposto episódio. Além disso, o levantamento detalhou horários, trajetos e registros de viaturas militares mencionadas nas versões divulgadas, sem encontrar compatibilidade com a alegação de transporte da criatura.
Mesmo com as conclusões oficiais, o caso segue como um dos episódios mais emblemáticos do imaginário popular brasileiro. O relato ocorrido em 20 de janeiro de 1996, quando jovens descreveram um ser de baixa estatura, aparência frágil, cabeça desproporcional e olhos avermelhados, marcou a memória coletiva e transformou o chamado ET de Varginha em um símbolo cultural que ainda desperta curiosidade, debates e questionamentos sobre o que, de fato, aconteceu naquela tarde.
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