
Fechada ao público há mais de quatro anos, a Cachoeira do Tabuleiro deu um passo importante rumo a uma eventual reabertura. O Ministério Público de Minas Gerais firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, no Alto Jequitinhonha, que estabelece uma série de exigências técnicas e ambientais para a retomada segura do acesso ao atrativo natural, considerado o mais alto do estado e o terceiro maior do país, com 273 metros de queda.
O acesso ao poço principal da cachoeira permanece interditado desde 25 de junho de 2021, quando houve o desprendimento de um fragmento de rocha do paredão. Desde então, a área segue com restrições em um raio de 500 metros. Laudos técnicos elaborados pelo Corpo de Bombeiros e por empresas contratadas pelo município entre 2022 e 2023 confirmaram a necessidade da interdição, diante dos riscos geológicos identificados no local.
O TAC foi proposto após o Ministério Público apurar, a partir de uma denúncia anônima, que o município havia iniciado um processo licitatório para o desmonte da rocha remanescente do episódio de 2021. Segundo a promotoria, o procedimento não contemplava todas as medidas de segurança recomendadas nos estudos técnicos, o que levou à necessidade de um acordo formal para garantir a adoção de protocolos mais rigorosos.
Com a assinatura do termo, a prefeitura assume a responsabilidade de executar o desmonte do maciço rochoso e remover os resíduos remanescentes, sem o uso de explosivos. O acordo também determina a realização de levantamento hidrológico, diagnóstico geológico-estrutural e mapeamento da área com o uso de drones antes do início das intervenções. Após a conclusão do desmonte, o município deverá instalar uma estação sísmica para monitoramento contínuo, além de estação meteorológica e pluviométrica e acompanhamento permanente de pontos críticos ao longo do paredão.
O compromisso firmado prevê ainda melhorias na sinalização de advertência, definição de rotas de fuga e instalação de dispositivos de segurança ao longo das trilhas. O Plano de Manejo do Parque Natural Municipal do Tabuleiro também deverá ser atualizado para incorporar as novas exigências técnicas e ambientais.
A eventual reabertura do atrativo, incluindo o poço principal e outras áreas atualmente interditadas, ficará condicionada à implementação integral das medidas previstas e à emissão de laudos que atestem condições favoráveis à visitação. Essa certificação deverá ser encaminhada ao Ministério Público antes de qualquer liberação. Inserida em áreas de proteção integral, como o Parque Estadual da Serra do Intendente e a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, a Cachoeira do Tabuleiro é reconhecida pela Unesco por sua relevância ambiental, o que reforça a cautela adotada no processo.
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