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MG tem 400 minas abandonadas e especialistas alertam para “bomba-relógio”

Duas das instalações são consideradas mais perigosas do que a barragem que se rompeu em Brumadinho

01/04/2025 às 13h30
Por: Redação
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Legenda: Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG). Foto: Presidência da República/Isac Nóbrega
Legenda: Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho (MG). Foto: Presidência da República/Isac Nóbrega

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho reacendeu o debate sobre a segurança da atividade mineradora no Brasil e levantou outra preocupação: o que pode acontecer caso uma tragédia envolva uma empresa de pequeno porte, desativada ou até falida?

Especialistas alertam que esse perigo é real. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), algumas das barragens mais vulneráveis de Minas Gerais pertencem a empresas que não operam mais. A barragem de maior risco no estado é a da Mina Engenho, da Mundo Mineração, que encerrou suas atividades em Rio Acima há mais de seis anos. Sem manutenção adequada, a única sinalização no local são placas alertando sobre a presença de substâncias tóxicas, como arsênico e mercúrio, utilizadas na extração de ouro.

O problema, no entanto, não se restringe a essa barragem. Outras duas minas paralisadas são consideradas mais perigosas que a estrutura da Vale em Brumadinho, segundo apuração do Estado de S. Paulo. O Ministério Público de Minas Gerais já investiga essas operações.

Minas abandonadas são um risco iminente

Em 2016, um levantamento da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) identificou 400 minas abandonadas ou desativadas em Minas Gerais. O estudo revelou que algumas dessas áreas possuem barragens sem relatórios atualizados sobre a estabilidade dos rejeitos armazenados.

Três casos são apontados como especialmente preocupantes: Mundo Mineração, Minar Mineração Aredes e Topázio Imperial Mineração. Para especialistas, essas estruturas representam uma “bomba-relógio” ambiental e social.

“O problema é desesperador”, alerta Carlos Martinez, professor da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). “A conta uma hora vai chegar, e pode quebrar de vez o estado. Muitas dessas mineradoras não existem mais. E quem pagará pelo desastre ambiental e humano? O poder público.”

Bruno Milanez, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), defende regras mais rígidas para evitar que empresas explorem recursos e abandonem áreas sem as devidas medidas de segurança. “Países mineradores exigem que as empresas provem sua viabilidade econômica antes de iniciar operações. No Brasil, isso ainda não ocorre como deveria.”

Casos sob investigação

A mina da Minar Mineração Aredes, localizada em Itabirito, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, está dentro de uma área de preservação ambiental e não opera há quase uma década. O atual proprietário, Lucas Cabalero, foi notificado pelo Ministério Público Federal (MPF) a apresentar um relatório de estabilidade. Ele alega que os rejeitos estão secos e que não há risco de rompimento, mas o MP considera o caso “urgente” e cobra providências.

Já a mina da Topázio Imperial Mineração, no distrito de Rodrigo Silva, em Ouro Preto, está desativada desde 2017. Moradores afirmam que as operações cessaram após uma ação do MP contra a empresa. Guilherme Capanema Gonçalves, que se identificou como filho de um dos sócios da mineradora, confirmou que a exploração foi interrompida, mas não detalhou quais medidas foram adotadas para garantir a segurança da estrutura.

A situação das minas abandonadas em Minas Gerais segue como uma ameaça iminente. Especialistas alertam para a necessidade de fiscalização rigorosa e de medidas preventivas para evitar que novos desastres ocorram.

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