Com quase 200 anos de história, o Hospital São João de Deus, em Santa Luzia, está à beira do colapso financeiro e precisou suspender novos atendimentos. Atualmente, a unidade mantém apenas cinco pacientes internados e enfrenta dificuldades para pagar funcionários e fornecedores. A crise se agravou devido ao atraso no repasse de recursos por parte da prefeitura, que ainda não definiu uma solução para a situação.
De acordo com Frederico Orzil, presidente da entidade filantrópica que administra o hospital, a dívida acumulada já chega a R$ 5,5 milhões. Os 286 funcionários estão sem receber benefícios há um mês, enquanto os 120 médicos contratados acumularam quase dois meses de atraso nos pagamentos. Além disso, os fornecedores de equipamentos hospitalares não recebem há cerca de três meses, comprometendo a continuidade dos serviços.
Diante desse cenário, o hospital suspendeu o atendimento a novos pacientes desde o último sábado (15). Serviços essenciais, como hemodiálise, oxigênio e exames laboratoriais, já foram interrompidos nas semanas anteriores. O contrato de custódia firmado entre a unidade de saúde e a prefeitura prevê repasses mensais de R$ 2,2 milhões, mas os atrasos dificultam o funcionamento da instituição.
O novo prefeito de Santa Luzia, Paulo Bigodinho (Avante), que assumiu a administração municipal em janeiro, informou na última sexta-feira (14) que já realizou o pagamento de R$ 1,7 milhão ao hospital neste ano, totalizando cerca de R$ 5,5 milhões em repasses. Ele defende que não há dívidas de sua gestão e que eventuais pendências financeiras devem ser investigadas.
"Sabemos que a gestão anterior deixou uma enorme divida, mas é importante destacar que o hospital não pertence à prefeitura. Nosso papel é apenas contratar serviços para garantir o atendimento da população. Seguimos acompanhando a situação para que os serviços sejam retomados e continuem beneficiando os cidadãos", declarou o prefeito em publicação nas redes sociais.
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