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Casos de violência contra a mulher aumentam em Minas Gerais e pesquisa alerta para sequelas psicológicas e sociais

Estudo revela que mulheres vítimas de agressões enfrentam consequências físicas, emocionais e até econômicas, com impactos negativos também no desempenho acadêmico e social.

14/03/2025 às 13h15
Por: Redação
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A violência contra a mulher em Minas Gerais tem se tornado um problema crescente, e os números alarmantes refletem o aumento de casos registrados nos últimos anos. Apenas entre 2022 e 2024, o número de ocorrências subiu de 141.582 a 153.599, destacando-se as agressões físicas e feminicídios, que são cada vez mais comuns no estado. Para além das dores físicas e emocionais, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta consequências de longo prazo para as vítimas. Uma pesquisa conduzida pela médica Nádia de Machado Vasconcelos, especialista em saúde mental, alerta para as sequelas psicológicas e sociais que acompanham essas mulheres ao longo da vida.

Recentemente, a violência do gênero voltou a ganhar destaque em Minas com o caso da oficial de justiça Maria Sueli Sobrinho, de 48 anos. Ela foi agredida fisicamente por um policial militar durante a entrega de um mandado no último dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. A agressão, que resultou em fraturas no rosto, deixou Maria Sueli marcada não apenas pelas lesões físicas, mas também pela dor emocional e psicológica. Em relato emocionado, ela revelou o sentimento de culpa e vergonha, algo que nunca imaginou experimentar. "Antes, quando ouvia as mulheres falarem dessa culpa, eu não entendia. Agora, eu sei", desabafou. Maria Sueli está agora buscando apoio psicológico para lidar com os traumas da agressão.

Dois dias após esse incidente, o município de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi palco de outro caso trágico. A biomédica Miqueias Nunes de Oliveira, de 33 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro, que não aceitou o fim do relacionamento. O feminicídio, que comoveu a comunidade local, evidencia uma realidade brutal enfrentada por muitas mulheres em Minas, onde o controle e a posse sobre o corpo feminino ainda são sentidos de forma cruel.

Esses casos ilustram um cenário de violência sistêmica que afeta principalmente mulheres jovens, conforme apontado no estudo da UFMG. Mulheres de 18 a 24 anos são as mais vulneráveis, e a violência que enfrenta tem implicações além das lesões físicas. O estudo revelou que a violência pode causar uma série de problemas de saúde, como cefaleias, dores abdominais, distúrbios do sono, fibromialgia, e também transtornos mentais como ansiedade e depressão. Além disso, muitas dessas mulheres recorrem ao uso de matéria, como álcool e drogas, como uma forma de lidar com o sofrimento.

De acordo com uma pesquisa, a violência doméstica não afeta apenas a saúde física e emocional das vítimas, mas também tem consequências econômicas e intelectuais. Mulheres que vivenciam abusos podem ter um desempenho acadêmico prejudicado, muitas vezes devido à ausência constante ou à dificuldade de concentração. Além disso, o impacto econômico é notável, pois muitas dessas mulheres se tornam financeiramente dependentes de seus agressores.

A violência doméstica, que ocorre principalmente dentro de casa e tem os parceiros íntimos como principais agressores, é um reflexo da desigualdade de poder e do controle que ainda existe nas relações familiares. O estudo mostrou que o ambiente doméstico é o principal cenário de agressões, o que torna a situação ainda mais complexa, pois as vítimas muitas vezes se sentem presas e sem opções.

No Brasil, os números da violência contra a mulher são alarmantes, com a pesquisa "Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil", do Fórum de Segurança Pública e do Instituto Datafolha, revelando que uma em cada cinco mulheres foi vítima de violência no ano de 2024. Este dado, que corresponde a mais de 21 milhões de brasileiras, é um reflexo de uma sociedade ainda marcada por preconceitos e pela ideia de posse sobre o corpo feminino.

Diante desse cenário, a Polícia Civil de Minas Gerais tem implementado iniciativas para apoiar as vítimas de violência, como o “Plantão Lilás”. O serviço, disponível em delegacias de plantão no interior do estado, oferece atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência doméstica, especialmente fora do horário de funcionamento das Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam). As vítimas serão atendidas por videoconferência, oferecendo um suporte contínuo, independente da localidade.

O aumento da violência contra a mulher em Minas Gerais exige ações urgentes para conter esse ciclo de agressões. A conscientização sobre as consequências físicas e psicológicas da violência é fundamental para garantir que as vítimas recebam o apoio adequado e possam se reerguer, com o apoio de medidas públicas e sociais.

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