19°C 26°C
Belo Horizonte, MG
Publicidade

Eleição presidencial registra mais de 800 ações judiciais no TSE

Disputas entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro envolvem propaganda eleitoral, canais de WhatsApp e conteúdos produzidos por inteligência artificial; Justiça Eleitoral mantém regras específicas para combater a desinformação

22/10/2026 às 15h35 Atualizada em 22/10/2026 às 15h45
Por: João Vitor Viana
Compartilhe:
Fábio Rodrigues-Pozzebom | Agência Brasil
Fábio Rodrigues-Pozzebom | Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enfrenta um volume recorde de processos relacionados à disputa presidencial de 2026, segundo levantamento divulgado pelo g1. Até a noite de 21 de outubro, a Corte havia recebido pelo menos 804 representações eleitorais, mais que o dobro das 325 registradas no mesmo período de 2022 e das 388 de 2018, conforme os números apresentados pela reportagem.

A disputa judicial entre as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) envolve acusações de propaganda irregular, divulgação de informações falsas, impulsionamento de conteúdos negativos e questionamentos sobre materiais veiculados no rádio, na televisão e nas redes sociais. O uso de aplicativos de mensagens e de ferramentas de inteligência artificial também passou a ocupar espaço central nas discussões.

As representações eleitorais costumam tratar de questões mais imediatas da campanha, como pedidos de remoção de publicações e direito de resposta. Já as ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs) apuram suspeitas de abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Dependendo das provas e do resultado do julgamento, esses processos podem levar a sanções como cassação de registro ou mandato e declaração de inelegibilidade.

WhatsApp entra no centro da disputa

Um dos principais focos de conflito envolve canais de WhatsApp criados para mobilizar apoiadores. De acordo com a reportagem, o canal “Exército do Lula”, associado ao deputado André Janones, e o “Tropa do Flávio”, ligado a apoiadores do senador, provocaram questionamentos sobre a responsabilidade das campanhas pelo conteúdo divulgado por terceiros.

A controvérsia levou a discussões sobre quando um canal de apoiadores deve ser considerado um meio oficial de comunicação eleitoral. A distinção é importante porque o apoio espontâneo a um candidato não significa, automaticamente, que a campanha seja responsável por todas as publicações. A análise depende das circunstâncias, do vínculo existente e das regras aplicáveis à propaganda eleitoral.

Após uma série de decisões judiciais sobre o tema, as campanhas também discutiram formas de reduzir o número de processos. Conforme o relato publicado pelo g1, houve uma reunião no TSE para tratar da judicialização, do combate à desinformação e da proteção contra o uso indevido de imagem e voz por inteligência artificial.

TSE estabelece regras para conteúdos produzidos por IA

O uso de deepfakes — vídeos, áudios ou imagens manipulados digitalmente para reproduzir ou alterar a aparência e a voz de pessoas — é outro desafio para a Justiça Eleitoral. Em setembro, o TSE definiu critérios para caracterizar esse tipo de conteúdo nas eleições de 2026, considerando o grau de realismo, a intenção de criar ou alterar imagem ou voz e o contexto de propaganda eleitoral.

As regras eleitorais exigem identificação explícita de conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial, nos casos previstos pela regulamentação, e proíbem deepfakes utilizados para favorecer ou prejudicar candidaturas. A norma também prevê medidas contra a circulação de conteúdos fabricados para divulgar fatos falsos ou gravemente descontextualizados, com potencial de comprometer o equilíbrio da disputa.

Além dos processos sobre propaganda e tecnologia, o TSE ainda precisa analisar ações de investigação eleitoral relacionadas a possíveis abusos de poder. A admissão de uma ação, contudo, não representa condenação: significa que o processo atende aos requisitos para tramitar e que os fatos alegados poderão ser examinados. A eventual aplicação de sanções depende da análise das provas e do julgamento de cada caso.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.