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PF mira esquema de internet controlado pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro

Operação Backbone cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão; investigação aponta extorsão de moradores e lavagem de dinheiro por meio de empresas

19/10/2026 às 14h16
Por: Daniel Mendes
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Divulgação: Polícia Federal
Divulgação: Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (19), a Operação Backbone, para combater um esquema de exploração ilegal de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro dominadas pelo Comando Vermelho (CV). A ação prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo as investigações, integrantes da facção impunham o monopólio do fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte da capital fluminense. O grupo utilizava armas e ameaças para obrigar moradores e comerciantes a contratar serviços de provedores ligados à organização criminosa.

Facção sabotava empresas concorrentes

De acordo com a PF, os investigados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de empresas concorrentes, além de impedir que técnicos realizassem reparos. A estratégia buscava inviabilizar a atuação de operadoras regulares e forçar a contratação da chamada “internet do tráfico”.

As apurações também identificaram a cobrança de valores de provedores autorizados a operar nas áreas controladas pela facção. Em um único mês, a exploração do serviço de internet respondeu por mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha, conforme registros contábeis analisados pelos investigadores.

Investigação aponta lavagem de dinheiro

A PF identificou indícios de que os recursos obtidos com a atividade eram ocultados por meio de empresas e operações financeiras. Entre os mecanismos investigados estão produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro e transações com criptoativos.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também foi ordenada a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, entre elas provedores de internet e possíveis empresas de fachada.

Mandados são cumpridos em seis municípios

As ordens judiciais são executadas nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte dos mandados de prisão é cumprida dentro do sistema prisional, inclusive em uma unidade penitenciária federal.

A investigação aponta ainda que uma liderança do grupo, presa há quase três décadas e atualmente custodiada no sistema penitenciário federal, continuaria exercendo influência sobre as atividades empresariais ligadas à facção, com participação de familiares e outros integrantes.

Anatel deverá adotar medidas sobre empresas investigadas

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para avaliar a cassação das autorizações e a interrupção dos serviços prestados pelas empresas investigadas. As medidas deverão incluir providências para evitar que os moradores das regiões afetadas fiquem sem acesso à internet.

Os investigados poderão responder por crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, interrupção de serviço de telecomunicações e domínio social estruturado. A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.

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