
O empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposta participação em uma rede internacional de prostituição que recrutava mulheres brasileiras e estrangeiras para festas privadas e encontros com empresários, amigos e convidados, incluindo autoridades. Mensagens extraídas de dispositivos eletrônicos do investigado indicam que ele teria investido ao menos R$ 4,3 milhões na estrutura, que envolvia intermediários, organizadores de eventos e uma casa noturna em São Paulo.
De acordo com a apuração, as conversas sugerem que Vorcaro não se limitava a contratar acompanhantes, mas também participava da seleção das mulheres, discutia valores e orientava a organização dos encontros. Entre as estrangeiras mencionadas nas mensagens estão russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. A reportagem aponta ainda que algumas eram refugiadas e estariam em situação de vulnerabilidade, circunstância que integra as suspeitas investigadas pelas autoridades.
As mensagens também descrevem a atuação de intermediários responsáveis pelo recrutamento, transporte, hospedagem e organização das festas. Entre os nomes citados na reportagem estão Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo. Os diálogos indicam que a estrutura organizava encontros no Brasil e em cidades do exterior, como Paris, Londres, Roma e Dubai. Os registros também apontam movimentações financeiras relacionadas a passagens, hospedagens e outros custos operacionais.
A Polícia Federal abriu um inquérito em maio para apurar possíveis irregularidades na contratação de serviços e a eventual ocorrência de crimes relacionados à exploração sexual e ao tráfico internacional de pessoas. A investigação deverá esclarecer as condições em que as mulheres eram recrutadas, transportadas e mantidas no país, além de verificar a participação de cada envolvido. A existência de mensagens e movimentações financeiras, por si só, não representa uma condenação nem comprova todos os crimes sob investigação.
A legislação brasileira não criminaliza a prostituição voluntária entre adultos, mas prevê punições para condutas como favorecimento da prostituição, exploração sexual e manutenção de estabelecimentos destinados à exploração, conforme as circunstâncias de cada caso. Já a caracterização do tráfico de pessoas depende da análise dos elementos previstos em lei e das condições em que ocorreu o recrutamento ou deslocamento. A apuração da PF busca determinar se houve práticas criminosas e identificar eventuais responsabilidades.
Segundo a Agência Estado, a defesa de Vorcaro declarou que não se manifestaria sobre o assunto. Os demais envolvidos mencionados nas mensagens também devem ter suas posições consideradas no decorrer da apuração. Até que haja conclusão das investigações e eventual decisão judicial, as suspeitas devem ser tratadas como fatos em apuração, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência.
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