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Fifa identifica racismo em 20% dos ataques virtuais durante a Copa do Mundo

Relatório aponta mais de 240 mil publicações ofensivas contra jogadores, técnicos e árbitros; um atleta recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas

10/10/2026 às 09h00
Por: Cristiane Cirilo
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Mi News/Nurphoto/AFP
Mi News/Nurphoto/AFP

Um em cada cinco ataques virtuais identificados durante a Copa do Mundo de 2026 teve conteúdo racista. O levantamento da Federação Internacional de Futebol (Fifa) analisou mais de 17 milhões de publicações nas redes sociais e identificou 240.676 mensagens ofensivas, das quais 20% foram classificadas como racistas. O relatório foi divulgado na sexta-feira (9), na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro.

A análise abrangeu o período de 9 de junho a 20 de julho e monitorou publicações no X, antigo Twitter, Instagram, Facebook e TikTok. Foram acompanhadas as contas oficiais das 48 seleções participantes, além de perfis de 1.606 pessoas, entre atletas, integrantes de comissões técnicas e profissionais de arbitragem.

Segundo a Fifa, as mensagens ofensivas foram direcionadas a 812 pessoas durante o torneio, realizado nos Estados Unidos, no México e no Canadá. O número representa 50,6% dos indivíduos monitorados. Do total de publicações identificadas como ofensivas, 477.217 foram encaminhadas para revisão humana após uma triagem inicial feita por inteligência artificial.

A entidade informou ainda que 60,7 milhões de mensagens foram publicadas nas plataformas monitoradas durante a competição. Desse volume, 9,2 milhões foram bloqueadas automaticamente antes de serem exibidas ao público.

Um jogador, cuja identidade não foi divulgada, recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas. De acordo com o relatório, 40% delas tinham conteúdo racista. O atleta também foi alvo de homofobia, sexismo e transfobia. Os ataques aumentaram depois de comentários raciais feitos por uma figura pública a seu respeito, que tiveram ampla circulação nas redes sociais, segundo a Fifa.

Durante a competição, o atacante francês Kylian Mbappé também foi alvo de ofensas. A senadora paraguaia Celeste Amarilla publicou mensagens no X nas quais questionou a identidade francesa do jogador e fez comentários depreciativos sobre sua aparência e sua capacidade de escrever. Mbappé nasceu em Paris e é filho de pai camaronês e mãe de origem argelina.

O relatório apontou ainda que 15% das publicações revisadas continham acusações de corrupção, direcionadas principalmente à própria Fifa. Ameaças violentas representaram 14% das mensagens, com aumento após a vitória da Noruega por 2 a 1 sobre o Brasil, nas oitavas de final. Já os ataques xenofóbicos corresponderam a 12%.

A seleção francesa foi a que mais sofreu ataques, especialmente de cunho racial, que representaram 33% das ofensas direcionadas à equipe. Na Inglaterra, mensagens racistas e xenofóbicas somadas corresponderam a 21%. Nos dois casos, parte das publicações questionava a composição multicultural dos elencos.

Em comunicado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a entidade pretende reforçar a proteção de atletas e demais integrantes do futebol contra mensagens de ódio nas redes sociais, com o uso de tecnologias capazes de identificar conteúdos abusivos, inclusive imagens produzidas por inteligência artificial.

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