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Navi Pillay, ex-alta-comissária da ONU, ganha o Nobel da Paz de 2026

Jurista sul-africana foi reconhecida pela atuação em defesa dos direitos humanos e do direito internacional; carreira inclui julgamentos sobre o genocídio em Ruanda e investigações sobre Gaza

09/10/2026 às 12h52
Por: Cristiane Cirilo
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Jean-Marc Ferré - ONU
Jean-Marc Ferré - ONU

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2026 nesta sexta-feira (9). O Comitê Nobel da Noruega anunciou a escolha em reconhecimento aos esforços dela para promover a paz e o direito internacional, destacando sua atuação em processos contra crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay construiu a carreira jurídica durante o regime do apartheid, sistema de segregação racial que vigorou no país até o início da década de 1990. Em 1967, abriu o próprio escritório de advocacia e atuou na defesa de pessoas que se opunham ao regime, incluindo Nelson Mandela e outros ativistas.

Em 1995, tornou-se a primeira mulher negra nomeada para a Suprema Corte da África do Sul. Quatro anos depois, passou a atuar no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde foi juíza e presidente. Durante o trabalho no tribunal, teve papel importante em decisões que reconheceram a violência sexual como possível instrumento de genocídio e crime contra a humanidade.

A trajetória internacional de Pillay inclui ainda a atuação como juíza do Tribunal Penal Internacional, entre 2003 e 2008. De 2008 a 2014, ela ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, uma das principais funções da organização na promoção e proteção dos direitos fundamentais.

Mais recentemente, Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel. Em setembro de 2025, a comissão concluiu que autoridades e forças de segurança israelenses cometeram genocídio na Faixa de Gaza, com base na análise de atos previstos na Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. A conclusão faz parte de um relatório da comissão de investigação das Nações Unidas.

Pillay também atua como juíza ad hoc na Corte Internacional de Justiça, no processo em que Mianmar é acusado de genocídio contra a população rohingya. A experiência em diferentes tribunais internacionais foi um dos elementos destacados pelo Comitê Nobel ao justificar a escolha.

Ao anunciar o prêmio, o comitê afirmou que o Estado de Direito, tanto nacional quanto internacional, é essencial para manter a paz e permitir a resolução de conflitos sem violência. A instituição também alertou para a pressão sobre o sistema jurídico internacional e para os ataques a tribunais e juízes.

“A paz exige justiça”, afirmou o Comitê Nobel ao explicar a decisão. A premiação, segundo a instituição, busca reforçar a importância de responsabilizar autores de crimes internacionais e garantir que vítimas de violações tenham acesso à Justiça.

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