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Juros altos travam o acesso ao crédito na visão de 76% das empresas da indústria, aponta estudo

Pesquisa com 1,7 mil empresas mostra que a taxa de frustração na busca por financiamento aumentou e é maior entre pequenas e médias

09/10/2026 às 09h37
Por: Daniel Mendes
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Divulgação: Fábrica WEG em Itajaí
Divulgação: Fábrica WEG em Itajaí

Taxas elevadas são o maior obstáculo para a indústria brasileira conseguir financiamento, segundo a Sondagem Especial 107 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (9). Entre as empresas que enfrentaram dificuldades para contratar crédito de curto ou médio prazo, 76% citaram os juros como uma das principais barreiras. 

Nos financiamentos de longo prazo, com vencimento acima de cinco anos, o índice foi de 69%. Embora ainda liderem a lista de entraves, os juros pesaram menos que na pesquisa anterior, quando eram apontados por 80% e 71%, respectivamente.

A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, explica que os cortes na taxa básica de juros demoram a chegar ao custo do crédito, que ainda sai caro para as empresas. A pesquisa ouviu 1.701 indústrias entre 3 e 12 de agosto sobre as condições enfrentadas de fevereiro a julho: 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes.

Entre as empresas que de fato foram atrás de dinheiro, a parcela das que saíram de mãos vazias cresceu. No curto e médio prazo, a taxa de frustração foi de 24,7%, contra 20% em 2025. No longo prazo, chegou a 37,2%, ante 33% um ano antes. 

O problema atinge mais os pequenos e médios negócios: no crédito de longo prazo, 48,2% das pequenas e 48,1% das médias não conseguiram o financiamento, enquanto entre as grandes o índice foi de 29,9%.

Muitas empresas nem tentaram. No curto e médio prazo, 49,9% não buscaram contratar ou renovar crédito, 22,9% conseguiram e 7,5% tentaram sem sucesso. No longo prazo, 54% não procuraram, 15,5% obtiveram o financiamento e 9,2% foram recusadas.

A pesquisa também mostra um uso peculiar do crédito de longo prazo, normalmente reservado a investimentos. Entre as empresas que o contrataram ou renovaram, o principal destino foi o capital de giro (28,7%), à frente de máquinas e equipamentos (23,6%) e de construção ou instalações (11,6%). 

A CNI destaca que despesas como folha de pagamento, materiais e insumos costumam ser financiadas por operações de menor prazo. Nessas linhas, quase 60% das empresas apontaram o capital de giro como principal finalidade.

Outros entraves ao financiamento

Depois dos juros, o maior obstáculo no curto e médio prazo é a exigência de garantias reais, citada por 33,4% das empresas, e a burocracia aparece em seguida, com 13,6%. No longo prazo, 31,5% apontaram as garantias reais, e 18,9% reclamaram de carência insuficiente.

O que as empresas pedem?

Para facilitar o acesso ao crédito, a medida mais citada foi a redução dos custos tributários e administrativos, escolhida por 38,4% das empresas no curto e médio prazo e por 31,2% no longo prazo. Em seguida vêm a ampliação das linhas públicas de crédito (22,8% e 26,3%) e a simplificação das exigências bancárias (21,1% e 22,1%).

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