
O futebol tem dessas noites em que um empate pode ter gosto de vitória para um lado e de oportunidade desperdiçada para o outro. Na Arena da Baixada, em Curitiba, Atlético-MG e Athletico-PR protagonizaram nesta quinta-feira (8) um duelo de emoções até o último instante. O placar de 2 a 2, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, contou uma história de pressão, tropeço, superação e alívio alvinegro nos acréscimos.
O Furacão começou melhor, impondo o ritmo de quem joga em casa e quer se firmar entre os primeiros colocados. A superioridade inicial foi transformada em gol quando Gilberto avançou pela direita e encontrou Vargas. O atacante chileno finalizou de fora da área, a bola desviou em Lyanco e enganou o goleiro Gabriel Delfim. O Athletico largava na frente e parecia ter encontrado o caminho para controlar a partida.
Mas o Galo não aceitou ser apenas figurante. Em uma cobrança de falta de Bernard, a bola desviou em Viveros e terminou no fundo da rede paranaense. Gol contra, empate e uma mudança no clima do jogo. O Atlético cresceu depois de igualar o placar e mostrou que, mesmo longe de Belo Horizonte, tinha condições de incomodar o adversário.
A segunda etapa trouxe o tipo de tensão que transforma uma partida em teste de nervos. O Atlético perdeu Tomás Pérez, expulso após uma falta em Viveros, que avançava em direção ao gol. Com um jogador a menos, o time mineiro precisou redobrar o esforço defensivo. O Athletico ganhou espaço, aumentou a pressão e passou a enxergar a vitória como uma questão de insistência.
Viveros, que havia marcado contra, encontrou a chance de mudar o próprio roteiro. O atacante voltou a balançar as redes, desta vez a favor do Furacão, e colocou os mandantes em vantagem. A Arena da Baixada ganhou a atmosfera de festa, enquanto o Atlético se via diante de um cenário ingrato: resistir com dez jogadores e tentar evitar que a derrota complicasse ainda mais sua caminhada no Brasileirão.
Só que o Galo ainda tinha uma última resposta. Quando a vitória paranaense parecia encaminhada, Lyanco apareceu nos acréscimos para marcar o gol de empate. O zagueiro, que havia participado involuntariamente do primeiro gol do Athletico ao desviar o chute de Vargas, terminou a noite como protagonista de uma reação decisiva. O futebol, caprichoso, ofereceu a ele uma oportunidade de compensação no momento em que o relógio parecia jogar contra os mineiros.
O resultado manteve o Athletico-PR na terceira colocação, agora com 50 pontos, enquanto o Atlético-MG chegou a 44 pontos e permaneceu em sétimo lugar. Para o Furacão, o empate interrompeu a possibilidade de transformar o mando de campo em mais três pontos na disputa pelas primeiras posições. Para o Galo, somar fora de casa, com um atleta a menos e um gol nos instantes finais, representa um ponto importante — embora a equipe ainda precise de regularidade para se aproximar da zona de classificação à Libertadores.
Há também um dado que ajuda a dimensionar o resultado para os paranaenses: o Athletico ampliou para 13 jogos sua invencibilidade na Arena da Baixada pelo Campeonato Brasileiro. A sequência mostra a força da equipe em Curitiba, mas o empate deixa uma lição sobre a necessidade de administrar vantagens até o apito final. Do lado atleticano, a reação reforça o espírito de luta, mas não apaga os problemas defensivos e o peso de uma expulsão em um confronto tão disputado.
Agora, os dois times precisam virar a página rapidamente. O Athletico-PR volta a campo na segunda-feira (12), contra a Chapecoense, na Arena Condá. Já o Atlético-MG recebe o Santos no domingo (11), na Arena MRV, em Belo Horizonte. Na reta final do campeonato, cada ponto pode fazer diferença: o Furacão quer proteger sua posição no G4, enquanto o Galo precisa transformar reações como a desta quinta-feira em uma sequência de resultados que o aproxime de seu objetivo continental
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