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Há 7 anos falecia Dom Serafim Fernandes de Araújo, cardeal e ex-arcebispo de Belo Horizonte

O cardeal morreu na capital em 8 de outubro de 2019, aos 95 anos

08/10/2026 às 12h05
Por: João Vitor Viana
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Dom Serafim Fernandes de Araújo foi uma das figuras mais importantes da história religiosa e educacional de Minas Gerais. Cardeal da Igreja Católica e terceiro arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, ele dedicou mais de cinco décadas à Arquidiocese da capital mineira e teve atuação de destaque também na educação, especialmente na trajetória da PUC Minas.

Nascido em 13 de agosto de 1924, em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, Dom Serafim passou a infância em Itamarandiba. Aos 12 anos, ingressou no Seminário de Diamantina, onde estudou Humanidades e Filosofia. Posteriormente, foi enviado a Roma para aprofundar sua formação e concluiu mestrados em Teologia e Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Sua ordenação sacerdotal ocorreu em 12 de março de 1949, na Catedral de São João de Latrão, em Roma. De volta ao Brasil, celebrou sua primeira missa em Itamarandiba, em 1951, e passou a exercer diferentes funções pastorais. Foi pároco em Gouveia, capelão da Companhia Industrial de São Roberto e capelão militar do 3º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais. Também atuou como professor e diretor de Ensino Religioso.

Em 1957, Dom Serafim tornou-se pároco de Curvelo e, no ano seguinte, foi nomeado cônego. Em 7 de maio de 1959, aos 34 anos, foi sagrado bispo e transferido para Belo Horizonte como bispo auxiliar de Dom João Resende Costa. Na época, era o bispo mais jovem do Brasil. Além das funções pastorais, passou a atuar na área educacional e tornou-se professor de Cultura Religiosa da então Universidade Católica de Minas Gerais.

A relação com a universidade se aprofundou em 1960, quando Dom Serafim assumiu a reitoria da instituição, cargo que ocupou até 1981. Durante sua trajetória, também foi grão-chanceler da PUC Minas, presidente da Sociedade Mineira de Cultura e membro do Conselho Federal de Educação, além de participar de debates e atividades ligadas à educação em diferentes países.

Entre 1962 e 1965, participou do Concílio Vaticano II, um dos acontecimentos mais importantes da história recente da Igreja Católica. Sua atuação também se estendeu à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), onde exerceu funções de liderança. Em 1983, tornou-se arcebispo coadjutor de Belo Horizonte, com direito à sucessão, e, em 5 de fevereiro de 1986, assumiu oficialmente o governo da Arquidiocese, sucedendo Dom João Resende Costa.

À frente da Arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Serafim desenvolveu projetos pastorais e iniciativas voltadas à evangelização e à formação dos fiéis. Entre suas ações está o Projeto Pastoral Construir a Esperança, iniciado em 1990. Em 18 de janeiro de 1998, foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II e recebeu a investidura cardinalícia nos dias 21 e 22 de fevereiro daquele ano.

Dom Serafim permaneceu como arcebispo metropolitano de Belo Horizonte até 2004, quando passou à condição de arcebispo emérito e foi sucedido por Dom Walmor Oliveira de Azevedo. Mesmo depois de deixar o governo da Arquidiocese, manteve forte presença na memória da Igreja e da comunidade mineira, especialmente por sua contribuição à educação, à formação religiosa e à vida pastoral.

O cardeal morreu em Belo Horizonte em 8 de outubro de 2019, aos 95 anos. Segundo informações divulgadas à época, ele estava internado em estado grave e morreu em decorrência de uma complicação de um quadro de pneumonia. A Arquidiocese de Belo Horizonte e a CNBB registraram a morte e destacaram sua trajetória de mais de 50 anos de dedicação à Igreja. O papa Francisco também manifestou pesar pelo falecimento e recordou a atuação missionária do religioso.

A trajetória de Dom Serafim deixou marcas que ultrapassam o campo religioso. Sua atuação como sacerdote, bispo, arcebispo, cardeal e educador esteve diretamente ligada à história de Belo Horizonte e da PUC Minas. Em 2024 e 2025, a Arquidiocese promoveu homenagens pelo centenário de seu nascimento, reafirmando a importância de sua trajetória para a Igreja e para a sociedade mineira.

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